Esta que aqui vê,de rosto esfumado pela ausência,sou eu.Sabe que aos desencaminhados nos tempos,foge a memória da face visível.
Não sei que idade tenho,talvez a do mundo,nem como me chamo,provavelmente sou como a outra,Lizzie,Eli,EWG,Jill,Léu e mais meia dúzia de sorores tresloucadas.Também não sei de que país,que todos por onde passei em mim tiveram infiltração.
Hoje,e toda a vida, sou uma nuvem parada num céu vadio.
Aqui sou pastora de palavras,junto-as,não se tresmalhem elas pelos caminhos que são capazes de inventar.São afoitas.Mal as solto viajam por rios que eu própria não conheço.E eu, que às minhas dou parição,veja lá...
Saiba que sou branda nos costumes mas,dizem,atrevida nas ideias,que quer?Ideias reprimidas são flores que ,envergonhadas, nunca chegam a florir:ficam como casulos à espera da morte,credo cruzes canhoto.Gosto lá eu de ver alguém prisioneiro sem que tenha absorvido a culpa.

Também lhe devo dizer que encontrei pouco mundo à minha medida:ou é tudo muito grande ou muito pequeno.Talvez seja ainda muito nova ou demasiado velha que isto da idade é espiral sem medida nem norte.
Mas deixe lá que nunca deixo de ouvir o latejar do coração da terra.É tal o arfar que dela se exala,neste mundo que anda feio,que logo me levanto para ver se consigo respirar um pouco,pouquinho, do ar que se respira no universo.
Pronto,vou-me levantar que se faz tarde para o que ainda tenho que viver.

Quem quiser pode vir comigo,poderá ser livre,vestir a alma com a roupagem que melhor lhe enquadre os sonhos .Nenhum Deus ou homem lhe castigará os pensamentos,lá em cima,no farol,à beira de um qualquer mar avisado.
Com licença...


