
assim em inglês, já que têm vasta literatura sobre o assunto e são rigorosos na distinção.
O naked, vou traduzir simplesmente por despido, corresponde à situação de estar sem roupa no comum dos dias, implicando na nossa cultura ocidental, e em situações fora do contexto próprio, grande vergonha e embaraço que ninguém se sente bem como veio ao mundo na via pública de pudendas partes ao léu. Acho eu.
O nude, aplicam-no eles para formas artísticas. Durante muito tempo o corpo foi uma forma, quase abstracta, de exprimir formas de beleza de acordo com os padrões e exigências de cada época, ou seja representava um ideal distante dos corpos reais. Olhem a colecção de Vénus, algumas sujeitas a regras matemáticas de proporções entre as anatómicas partes.




Na corte de Her Magesty Elizabeth I, grande amante da dança, eram desenhados fatos rebuscadíssimos para a função. Jones era exímio na complicação da dançarina vestimenta.
Não me esqueço dos efeitos visuais de Martha Graham

do dramatismo da simples combinação branca de Pina Bausch


A época áurea dos despidos, recuso-me a chamar-lhes nus, foram os alvores da dança pós moderna em que, rejeitando toda a história e técnica, a dança era todo o movimento ou pausa e teatro toda e qualquer conversa. Coreografias houve de pessoas a andar, só a andar, no palco. Ou só sentadas. Como em outras artes era Dada ressuscitado. Life is art, art is life.
Numa fúria anárquica e em nome da liberdade, alguns desses coreógrafos, exigiam que os bailarinos se esquecessem da sua formação, se despersonalizassem através de expressão amorfa e se despissem. Para alguns o corpo despido deixou de ser nu, veículo de estudo de movimento ou instrumento de narração, para ser mera ferramenta de choque contra a cultura judaico-cristã dominante no ocidente.
Foi assim que vi, em vídeo, espectáculos vazios e inestéticos. Foi assim que ouvi as queixas dos incómodos dos bailarinos, às vezes com equimoses por causa dos arrastamentos pelo chão. O corpo humano não é plano e o chão nem sempre é de veludo.
Na era pós Franco, em Barcelona, já bem entrados os anos noventa, houve mesmo, só e exclusivamente, masturbação e relações sexuais mecânicas, sem sequer um contexto afectivo, positivo ou negativo, em palco. Numa conferência o coreógrafo disse que era dança porque sim. Bastava ele achar que era. Vomitava assim o pudor. O sexo deveria ser coisa de prática pública no palco ou na rua.





























