
Isadora Duncan de seu nome. Adorava panejamentos , saltos, pés nus e liberdade de movimentos, histriónicos, e foi inspirado nela, por exemplo, que um coreógrafo pôs esta nubente e angelical Srª assim vestida e maquilhada aos pulos, com outra menos aos pulos e vestida de preto, porque era a má, ou não tivesse olhos verdes, à beira de um inconveniente e muito pouco profissional, ataque de riso, já eram muito bem entrados e quase findos os anos oitenta.

Os Romanos, por então, desprezaram a dita Arte. Uns séculos mais tarde, em Itália, a história bem se vingou do desprezo. Não há fome que não dê em fartura. Dizem.
Na Idade Média a Igreja não achou as artes do corpo dignas, aliás muito conotadas com a sexualidade, mas foi impossível extinguir os impulsos da expressão do movimento e quer no povo quer nos palácios, não morreram. Até abriram caminhos. A aristocracia tinha uma modalidade chamada dança baixa. Os pés arrastavam-se pelo chão num movimento lento e deu mote, na segunda metade do séc.XX, às mais belas e melancólicas coreografias. Simbolo de interioridade, não raro associada à audição de textos.
E a Dança da morte. Permitida e incentivada pela Igreja, atingiu o auge na época da peste negra.

É discutível para os pensadores se se trata de dança ou não. Falta-lhe o elemento geométrico. Mas era dançada por todas as classes sociais, inclusivamente pelo clero, porque ricos ou pobres todos a têm certa e nada mais há que una tanto as pessoas como o medo. Foi buscar fontes às danças populares pagãs, dançadas nas festas onde era permitido um intervalo na santidade. Algumas deram origem ao folclore tal como é conhecido hoje.
As pessoas juntavam as mãos e andavam em correrias, algazarras e pulos pelas ruas como se fossem uma corrente. Parece que as fontes de estudo são poucas, mas alguns dizem que se juntava também uma modalidade árabe, mais estática, mas carregada de lamento : as pernas semi abertas, pés bem assentes no chão e o tronco move-se, ritmadamente para trás e para a frente. Em algumas culturas ainda hoje se pratica. Já tal vi, à beira de um caixão recheado de cigano patriarca. Quando uns se cançam são subtituídos por outros. Noutra modalidade, com o tronco levantam-se e agitam-se os braços.
Nos índios norte americanos é uma verdadeira obra de arte colectiva. A Martha Graham extasiava-se com tal riqueza de movimento. O som também não é nada de deitar fora.
Interessante que quase todos os povos tenham na sua história esta dança. Interessante que em quase todos exista a tal cadeia fechando ou não um círculo e interessante que desde o início do século XX tenha inspirado tantos coreógrafos, encenadores e artistas em geral. A importãncia no expressionismo alemão é imensa. Quando a peste Sida apareceu, pelo menos nos Estados Unidos, foi um chover de coreografias tendo estes princípios como base. Tornou-se quase uma outra peste pós-moderna. E ainda vai durando, digo eu que estou com vontade de má-língua.
No cinema Ingmar Bergman também a tornou célebre no Sétimo Selo.

Como não sou historiadora, nem nada que se pareça, não sei se não será mesmo assim : dão-se voltas e mais voltas, pulos e mais pulos, mas as fontes essenciais estão sempre lá, para nos lembrarmos que estamos vivos.
Credo, felizmente.
Vai de roda, vai de roda...













