quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

vem este à laia de continuação de certos comentários com asneirolas de boa sorte do anterior e sobretudo e também porque me apetece.

O tempo intermédio





Não, não nos apeteceu ficar ali na lendária Chocolateria san Ginés, de passagem quase obrigatória depois de estreias de espectáculos e outras aflições, a exibir sorrisos autorais, e a responder a perguntas irrespondíveis.

Não nos apeteceu despirmo-nos dos nossos segredos, mostrar o outro lado dos pensamentos. O mais idiossincrático e escondido.
As almas pediam-nos silêncio. Pediam-nos o vaguear sem horas pelas ruas e avenidas da capital espanhola, no aconchego do carro aquecido até chegar a casa, ao prazer simples do duche escaldante, do chá com comentário solto e avulso aos pormenores do anseio que já passou.



Digo-lhes que estacionem e subam, que a vida entre íntimos não tem etiqueta de traje e, comigo de roupão e pantufas, vocês são mais meus, fazem-me sentir que tenho uma história viva. Que existi.

Se me der sono adormeço no vosso colo, encaixo-me na vossa intuição deste meu estado intermédio entre a idade de ainda me lembrar de ter companhia num pato de plástico branco e a que há-de vir, vazia de memória.

Vou-me despir de máscaras. Aquela que todos nós, sendo ou não do palco, pomos todas as manhãs quando deixamos de estar sozinhos.
Mudam-se os tempos, mas as máscaras continuam. O teatro da sobrevivência assim o obriga. A verdade sem disfarces seria demasiado insuportável.


Olha a bailarina estrangeira, loira com olhos de água virgem, que trabalha aqui, em Madrid. Poderá ela dizer-nos, ou melhor dizer-vos, que vos detesta o barulho, a arrogância, os verões exuberantes de bulício nas esplanadas, o sol descarado. Senti-lhe nos gestos as saudades, em português diz-se saudade, do chão húmido a reflectir o recato nas lajes, o cheiro a porto, a ânsia que lhe chegue amor empático do Norte.
Quase com quarenta anos, chegou à idade em que a espera é uma dor lenta. Um caminho intermédio entre a esperança doida e a resignação. Está a mascarar de profissionalismo a solidão que não confessa. Os do Norte não têm flamenco nem fado para gritar as tristezas disfarçadas de tradição.



Esse? Desenha cenários como quem constrói uma casa de brinquedos da infância que ainda lhe resta, que não deixou morrer,olha, assim como eu vou falar em cavalinhos para o blogue e se, para a próxima…tipo metáfora visual…

gosto tanto daqueles olhos negros, curiosos a apanharem qualquer fantasia que fuja para o ar…parece uma criança barbuda. Deve ser bom envelhecer como se nunca se tivesse passado pelo tempo intermédio de se ser obrigatoriamente crescido.

Eu? Espero nunca crescer completamente! Credo!

Olha, vai buscar o cobertor que ela já adormeceu. É melhor tirar-lhe os sapatos. Já tinha aquela ruga ao canto da boca? Assim, tão funda?
Até a dormir é bonita. Já expliquei que lá dizemos que é como o vinho do Porto, não é Oporto, é Por-to, quanto mais velho melhor.

Ai essa é giríssima: disse-me que já publicou um novo romance baseado numa constatação que fez por acaso e veio a confirmar: uma parte das pessoas fala ao telemóvel com ninguém.

Foi o que ela disse. Falam, falam, estão no meio da conversa, chega o metro e desligam a meio da frase. Distraem-se. Não são actores profissionais, esquecem-se da deixa na peça que vão criando. Sei lá, deve ser o cúmulo da solidão. Tempo intermédio para a completa loucura. Ela só escreve sobre gente na fronteira de tudo…estão algures ali na terceira prateleira, podes levar.


Perguntei ao António por quanto me venderia uma gravura da série Audrey Hepburn, porque o quadro a óleo…



tenho cara de banqueira, por acaso? Compra-o tu. Ah, bom, pois é…trabalho em Portugal. A gravura em formato grande já me chegava. Sabes com quem é parecida?
São os olhos amendoados, a forma como se move. Acho que vai dançar também na Gulbenkian.

Não, não a acordes, anda tão cansada. Amanhã é domingo. Quando acordar vai-se embora. Já conhece os cantos à casa.

Está como eu. Estoirada.

Vou para a cama. Lá diz-se vamos deitar que esta gente quer ir-se embora. A brincar, claro.

Vou dormir. Vou para o estado intermédio entre as realidades. Se é que sei o que realidade significa. Os filósofos que pensem nisso



que eu, vocação a sério, só tenho para sonhar.


Lava-se a loiça amanhã!





yo envidio el vento - lila downs

28 comentários:

Alien8 disse...

Lizzie,

O tempo intermédio de cada um, cada um o sente à sua maneira. Para uns é mais óbvio (entre espectáculos...), para outros não tão óbvio, mas está lá.

No abrir das portas da casa e da intimidade, na hora do cansaço, nosso e alheio (deixa-a(o) estar, já dorme...), nas frases curiosamente iguais, como "Vamo-nos deitar que estas pessoas querem ir embora", que em certo grupo subvertemos para "Vamos embora que estas pessoas querem-se ir deitar" (diziam os da casa).

Ou mesmo chegar à janela e dizer "São onze horas, não chove, eu, se fosse visita, ia-me embora!" - isto dito lá para as 4 da manhã e por puro gozo.

Não fui daqueles que aqui deixaram asneirolas de sorte, apenas por ter sido apanhado desprevenido, mas aqui ficam a posteriori, quero dizer, que tenha corrido muito bem, seja o que for que te levou ao palco ou coisa assim.

A tua descrição e as fotos, nem preciso dizer o quanto me tocaram.

Um beijo.

Angelus// The Phantom Of The Opera disse...

nao te preocupes que eu tambem nao sou artista, pelo menos em quanto nao o for para alguem, ate lá, continuarei a fazer a minha arte, que mesmo nao sendo pura, é a minha arte. para ser arte na sua dimensao estética, é necessario mais que um belo desenho ou uma pincelada plagiada de um autor qualquer, se nao, nao passará de algo vazio.

Anónimo disse...

No intervalo!!

Vou repetindo-te

“ loura com olhos de água virgem ”

“ loura com olhos de água virgem “


Lindo!!!!!!!!!!!!!


Roubei a tua fotografia!

Tu tão tu ali!!!

Artista grande!!


Mil beijos sempre!


P.

Lizzie disse...

Alien:

também acho que toda a gente, seja quem for e onde for, tem os seus tempos entre um estado e outro. E cada um vive tais pontes como pode e nem sempre como quereria que fossem vividas.
Há quem as atravesse de modo ligeiro e quem sofra duras penas em cada passo.

Depois, já que falas em espectáculos, há artistas que olham para si e para os outros e interpretam essas pontes. Seja lá qual for o meio que utilizem (palavras, dança, música, cenários...)

Quanto a expressões de "correr" com as visitas, felizmente não são muito utilizadas naquela casa:))
A intimidade é tanta que já cada um dorme quando e onde lhe apetece. A culpa deve ser do sofá:))já está moldado à vontade de sonho, perdão, sono dos habituais convivas.

A salamandra,o chá e os panecillos da Doña Rosa também ajudam, em noites tão frias e ventosas como aquela.
(olha vou arriscar os "trinta segundos" e botar uma música nocturna e íntima)

Bom fim de semana e abraços para vocês.

Lizzie disse...

Angellus:
eu não estou preocupada:)
Quando chegares à minha idade, já vi que sou mais velha que tu, talvez já te chamem artista, ou já te considerem artista.

Eu já fui chamada assim várias vezes, mas o que me interessa é a minha evolução pessoal. Evoluir para ficar minimamente satisfeita com o trabalho. Minimamente, porque nunca se fica em pleno. Mal de quem fique: nunca mais anda para a frente. Os erros são os melhores professores.

E é bom não confundir plágios com influências. Influências toda a gente tem. Ninguém vive numa ilha deserta. O que importa é criar uma linguagem pessoal, coisa que se vai construindo com o tempo.

Falando de nomes, o Picasso durante toda a vida fez cópias dos desenhos dos impressionistas e outros, mas olha-se e são do Picasso.
O António desta Audrey Hepburn tem influencia da Pop do Warhol mas, tem factores distintivos.

Por isso, em frente, rapaz!

Lizzie disse...

Pêzinha:
rouba à vontade.

Lá até alguém tem numa moldura:))por uma questão de metáfora.

Quanto a águas, olha, foi o que se me ocorreu para a descrever. São azuis, e tão transparentes.

Beijinhos e asneirola também para ti.

(ou pensavas que escapavas?)

Arabica disse...

O tempo intermédio.

O espaço intermedio entre a pele e a alma.

Entre a resistente face e a fragil névoa dos sonhos que nos compoem...

Quase fantasmas...

Desnudar, sem pudor, fraquezas e fragilidades...para lá do biombo...


E dos sonhos...cresce sempre uma nina, que se engrandece de vida e à noite, já noite, se recolhe em posição fetal...

Fluxos de vida, nos intermedios do tempo e do espaço...

Estou sem óculos, continou num cyber, rodeada de pessoas, ruidos, vozes...peço desculpa de algum erro ortografico ou que o que escrevi pareça sem nexo :))

E agora me vou :)) deixando-te mais beijos de chuva par las Puertas del Sol :))

Angelus// The Phantom Of The Opera disse...

desde que me deixem criar, pouco me importo com que me chamem ou nao de artista(temos excesso de pseudo artistas e falta de verdadeira conteudo). nos ultimos tempos a arte adquiriu um excessivo contexto de comercio, sendo assim, e quando se comessa a fazer arte com a intençao de fazer dinheiro, ela perde a sua dimensao de arte e passa a ser do ramo do design, uma das condiçoes para fazer arte pura, é k esta deve ser livre, o factor economico aparece aqui como uma condicionante que deita a falsa arte por terra. como é obvio, ha sempre imfluencias, hoje mais que nunca. ha quem defenda que chegamos a um impasse, nada de novo pode ser criado,eu defendo a tese do multiexpresionismo, recorremos a todos os meios de que dispomos para fazer arte.
mas o que faz de um simples risco uma obra de arte e uma copia desse mesmo risco apenas um risco? a obra de arte é uma criaçao espiritual, requer esforço artistico, reflexao, pensamento, etc o que lhe atribui conteudo e a remete para o divino. a simples copia remete-se a isso mesmo, é apenas materia vazia, despojada de conteudo, logo nao pode ser arte.
quanto á avaliaçao do meu trabalho, apenas o considero perfeito em quanto se encontra em execuçao, quando concluido, comesso logo a encontrar defeitos, só tenho verdadeiro prazer no trabalho em execuçao. cheguei por vezes mesmo a defender que a arte só é perfeita em quanto ideia, quando esta se materializa, é impura e imperfeita, contudo isso é ridiculo, pois só ha arte quando esta se materializa.

Alien8 disse...

Lizzie,

Bem arriscado, que a música ouve-se toda, e muito bem.

Esclareço que as expressões para correr com os convivas" eram usadas pelos próprios convivas, porque bem sabiam que jamais seriam corridos... bem, tu sabes isso, e até leste o "Café Europa"... :)

Bom domingo!

Anónimo disse...

Fica!


Precisamosde ti!


Assusto-me!


Tão longe!



Vivam os balões!


Cá!!!!


Mil beijos



P.

Arabica disse...

Com uma recem nascida net, deixo-te um abraço :)


Beijos

Lizzie disse...

Arabica:
ainda bem que já tens uma net recém nascida. Espero que com o correr do tempo não te traga problemas:))

Tantos tempos e espaços intermédios, aqueles de que falas...

aqueles tempos em que o pé se levanta para dar um passo, fica suspenso e já está no chão: passo dado, à espera do próximo.:)

O tempo intermédio é isso mesmo: a suspensão entre dois pontos de vida, ou na vida.

Olha-se para a esquerda, para a direita e avança-se. Ou não se olha para lado nenhum.

E eu hoje fui ao oftalmologista que me acabou com o tempo intermédio de uma dúvida referente ao espaço e ao tempo ( e perguntou-me a idade): preciso de óculos de ver ao perto.
Acabou-se-me a visão do mais ou menos, talvez sim, talvez não. Preciso dos óculos.:)

(não sei porquê mas a consulta pos-me disparatada.)

E podes dar erros à vontade que não sou a pessoa indicada para dar por eles:))

Besos para tí tanbíen,niña,de lluvia a las puertas del sol o de sol a las puertas de la lluvia.

Lizzie disse...

Angellus:
há de tudo! Há quem faça Arte (com A grande) e simultãneamente ganhe dinheiro.
Vais-me desculpar mas o mito do artista incompreendido, miserável, boémio e a morrer de fome foi uma criação de um certo romantismo francês. Em alguns casos era artisticamente correcto não expôr, gastar tudo o que se ganhava. Mas ganhavam.

Mas claro, que por outro lado tens razão: o marketing, os lobbies comandam tudo e há muita gente desconhecida com grande valor, muito maior que muitos que andam nas bocas do mundo.
Surge aí a regra dos 50 anos. Faz-se uma obra, espera-se 50 anos e se ainda "for boa", continuará a sê-lo até à eternidade.

Se calhar todas as gerações se acharam no fim da inovação, da criação. Mas a capacidade de criar não tem fim. Cada geração sente de forma diferente, logo cria coisas novas. Como diria o Matisse, a arte começou a morrer logo na pré-história.
Não acredito na arte pura, nem sei o que isso é. Talvez seja tudo o que é único, no sentido em que provem de cada um, da verdade e visão de cada um.
Essa ideia do prazer da concepção (sem acabamento) também é tão antiga quanto os artistas (ou não artistas).É normal em muitas actividades.
Os conceptualistas, como sabes, levaram-na ao extremo, até na dança.
No limite foi, e é, uma moda endinheirada, como outra qualquer. Uma espécie de ditadura da anarquia.
Quando se acaba uma obra, olha-se para os defeitos e tenta-se trabalhá-los. Assim nasce outra. E depois mais outra.
Acho eu.

Lizzie disse...

e Angellus, lembrei-me agora de um pintor português, de quem não vou dizer o nome, que até tinha a quem vender os quadros(fora as encomendas) mas, apesar de ter dois filhos para sustentar, negava as compras em nome do tal princípio que a arte não pode ter mistura com o dinheiro.

A Arte não sofreu nada com isso, já que tem quadros espalhados pelos museus, os filhos sim, sofreram muito.

Lizzie disse...

Alien:
milagres! A música ouve-se todinha? Milagres!

Deve ser por me ter enganado no título: escrevi vento e não viento.
Lá me disseram de Espanha.Notaram logo:))

Obrigada por me informares.

E, pois, os convivas às vezes perguntam: não serão horas de deitar? Não...))ou sai ida à Consuelo ou ida à cozinha. Até há quem se lembre de saltear cogumelos ou fazer sopa.:))

E que bem que sabe...


Um abraço

Lizzie disse...

Pêzinha:

deves ter lido a mesma coisa que eu...e tu não precisas de óculos de ver ao perto, que ainda és nova para isso...

Só te digo é que isto está bom é para ir para a praia apanhar pedrinhas e conchas. Mais o sol que é sempre bom.

Assim uma espécie de tempo intermédio e prolongado entre espaços. A ver subir os balões.

Tu não me enerves:)

Beijos.

Angelus// The Phantom Of The Opera disse...

claro que ha quem trabalha na arte, tem que fazer dinheiro para que possa sobreviver, nao é por aí que a arte perde valor, o problema é quando se passa a fazer arte com o unico proposito de fazer dinheiro, e como sabes, a arte tem k ser livre, nao pode ter condicionantes, a o factor dinheiro acaba por corromper e condicionar a criaçao. a partir do ponto em k o artista fica condicionado a certos factores, este perde a sua liberdade criativa. faz lembrar a historia k Bruno Monari conta num dos livros, em k um artista era conhecido por desenhar uma pera do lado esquerdo de uma garrafa, e kuando resolveu contrariar a tendencia e desenhar a pera do lado direito da garrafa, a critica caiu-lhe em cima, e na tentativa de recuperar a sua reputaçao, quando este voltou a desenhar a pera do lado esquerdo da garrafa, este ja nao teve asseitaçao, pois a arte nao pode ser condicionada pelo poblico. e o que eu quero dizer com este palavreado todo? simplesmente que a arte nao pode ter condicionantes de qualquer genero. é a criatividade do artista que deve compor a obra e nao a vontade da critica. caso contrario a arte nao é arte, nao ha belo artistico, somente uma obra de agrado, e isso nao é arte.

mas nao quero com isso dizer de forma alguma que o artista nao tenha que fazer dinheiro com o seu trabalho, nao so pode como deve...

Emma Larbos disse...

Há uma idade em que escondemos as pantufas debaixo da cama, como símbolos a esquecer de um futuro sem epopeias. Em que os rasgos autorais são uma esperança de futuro. Em que a chávena de chá fica bem na camilha meio debotada da avó, enfeitada de molduras de estanho cheias de sorrisos e caracóis do tio Evaristo quando ainda não o conhecíamos.

E de repente (tão de repente!) damos por nós a evocar as pantufas de cima dos saltos demasiado altos, temos as noites autorias no bolso, bem apertadas na mão, que estendemos para a chávena chá antes de encostarmos a cabeça nos colos onde gostaríamos de adormecer mais vezes...

Lizzie disse...

Angellus:
percebo o que tu queres dizer, mas volto ao mesmo. Há de tudo. Mozart foi um exemplo:tão condicionado a fazer obras a granel e olha para a qualidade.
Na dança, muitos coreografos e arredores são condicionados pelos financiamentos (só se pode gastar x)e foi assim que Martha Graham produziu, quanto a mim, uma das maiores peças de dança do séc.XX. Tão grande que abriu as portas a novas escolas e concepções.

Quanto à ctitica, bom, a função deveria ser explicar as obras, dar interpretações e nunca fazer juízos de valor, tantas vezes destrutivos. Os criticos não têm poderes divinos. Nem deveriam ser agentes comerciais.

Salvem-se os honestos, objectivos, que também os há.

Mas enfim

Lizzie disse...

Pois é, Emma, há idades em que se tem vontade de botar faladura sobre as obras, em que apetece ficar na moldura, em que o futuro é infinito

e há outras (independentes da cronologia)em que há a necessidade do silêncio, em que apetece manter a memória a salvo.

Sei lá o que iríamos responder...coisas tanto de cada um,em que a obra funciona como veículo de empatia calada com quem vê, ou ouve...

A idade da pantufa, do colo sereno, da confiança já é de calma. De quem sabe que o futuro chegará com mais ou igual velocidade com que o passado chegou aqui. E a obra já não é A Obra. É só mais uma em todo o mundo, fruto do que se trabalhou em anos.

E como comentava com uma amiga, no outro dia, quanto mais velho mais medo se tem. Quanto mais se sabe mais se exige. Mais se precisa de colo e de silêncio. A noção de relatividade aumenta.
E é bom estar com quem já não precisa de palavras.

Angelus// The Phantom Of The Opera disse...

é mesmo esse o problema. a arte que nos chega, é-nos dada por criticos que dicidem o que é arte e o k nao é. basta-nos correr as pequenas galerias, ver arte de rua, vasculhar pela net, que encontraremos obras e artistas de imenso valor. nao ha aqui qualquer tipo de critica destrutiva ao critico de arte, ha criticos bem competentes e honestos, contudo, tb ha akeles que no alto da sua arrogancia, se acham no direito de dizer o k é arte e o k nao é, e de destruir carreiras a seu belo criterio...espero que destes nunca me calhem :)

Arabica disse...

Lizzie,

descobri agora que a net foi um parto complicado, porque afinal nasceram gemeos :)) um de nome "cabo" e o outro "wireless"!! Ja dizia o ditado antigo " não há fome que não dê fartura" :))

Parece que sendo assim, me posso sentir mais segura: quado um dos gémeos se constipar, sempre posso ligar o outro :)

Sobre "el viento" deste post (que gostei muito) devo dizer-te que me lembrou a voz de Lhasa (La Llorona)(conheces? um destes dias hei-de coordena-la com uma qualquer escrita que me sopre dos dedos...) e que na sua voz rouca e profunda, também ela convida ao recolhimento de colo sem colo, naqueles momentos em que cansadas das n/proprias palavras, nos evadimos das luzes e nos deixamos navegar por outra voz...



Bela(s) a(s) foto(s).


:)

Lizzie disse...

Angellus:
tens que estar preparado para tudo. Para o bom e para o mau. Para o que tem sentido e para o absurdo.

Para descobrir muitas e muitas coisas,em vários campos artisticos,tenho saudades de outras terras.
Só se pode ser inteiramente livre quando há lugar para todos.

Lizzie disse...

Arabica:
conheço pois.

Tenho lá um cd com as lloronas todas:)).
Entre elas está esta Lila. Também gosto da versão da Mercedes Sosa, com o tilintar dos copos (ou do copo) em fundo.

E viste o filme do David Lynch, Molholland Drive? Tem uma cena fabulosa com a llorona, talvez uma das mais fortes.

Então vê lá se escorre prosa dos dedos:)

Para mim tudo o que tenha computación é parto difícil. Às vezes lá vem o auxilio do obstetra.
Quando não chega à cesariana...complicada cirurgia:)

Obrigada e besos

vale

Frioleiras disse...

lindíssimo, Lizzie
este texto................
dolorosamente bonito
e comovente...
e convicente.....................


o cansaço... esse cansaço da existência
pendurado em tudo e em todos... até em ti, pelas palavras que te saem, que empregas
tão espontaneamente
alheias................

Lizzie disse...

Frioleiras:
obrigada!

Cansaço sim, ou fartura, ou incapacidade de explicar o que criámos, porque criámos, porque fomos buscar aquela cantata do Bach, aquela suite do violoncelo choroso, aquela cantiga de Afonso X,a dança da renascença,o velho do Alabama, porque escolhemos a bailarina dos olhos virados para a saudade...e mais tanta coisa nossa como sintese.

Mais que responder é tempo intermédio de respirar fundo. Cada qual que interprete segundo a sua própria vida.

Se calhar só lançamos pistas para o público se ler.

Lola disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A. disse...

:))



...é na hora do cansaço que pensamos em quem gostamos no meio de pressas, chuvas e taxis, sacos cheios de escolhas já feitas e palavras trocadas.




...uma belíssima
viagem e até já.
*