segunda-feira, 4 de maio de 2009

Segue este, ensonado por noite em branco e encurralado (ou liberto) , como o nome do titulo indica, já verão V. Excelências porquê, if you don´t mind, of course, coño, que sol tão aberto que está aqui!

Oh London, my London, que nosotros somos más grandes e parem lá um bocadinho com a fita da competição que já me estão a fazer nervos portugueses!



Pouso eu o pé naquele solo antigo e o sangue conta-me segredos num sentir que só eu entendo. Numa língua intima cheia de consoantes e vogais a que a minha memória dá forma. Recolhida no cofre do afecto conhecido pelo nome de coração, corazón ou heart.

Porque há paisagens que desaguam na corrente do corpo, como se este as reconhecesse. Talvez as células tenham um nariz, olhos e boca que grite e peça um corrupio de apetite nas emoções.

E talvez, por isso, ouça o linguajar castelhano ao meu redor, dizer que a minha expressão, ali, está diferente.

Não preciso de vos contar que Londres é uma das minhas cidades preferidas. Onde são permitidos todos os mundos e onde se vêem todos os mundos sem que as cabeças se virem para trás em censura ou espanto.


É liberdade maior, essa de cada um seguir, sem disfarces acomodados à ditadura do comum, a talha para que nasceu.


E maior, ainda, a liberdade de respeitar o que cada um pensa.

Raramente um londrino discute. Prefere o debate com a dignidade e honra de um duelo palavroso no conforto de um sofá. Pelo menos no efervescente meio artístico, que futebol não frequento.

E aceitar e acolher todas as vanguardas, sem deitar para o lixo as tradições, é obra de arte que já implica talento e segurança assentes na História.

Chego, e esforço-me para ser como uma ilha isenta, sem nação, rodeada de espanhóis.

Quero olhar com equidistância os dois gigantes que, aparentemente antagónicos, mantêm traços comuns: sinais de vincada identidade própria, que exportam e que os distinguem dos demais.





Os dois têm reis de territórios feitos de mantas de retalhos.

E, em termos gerais, são sedutores igualmente odiados.

E os gigantes parecem-me um casal que se espreita mutuamente pela frincha da porta. Se ao longo da História tiveram discussões mortais em casamento tempestuoso, por outro guardam admiração e fascínio pelas diferenças.

Parece-me, que à vista um do outro, cada um enaltece o que pensa lhe ser mais peculiar. Se calhar estou predisposta a achar que assim é. A isenção é sempre relativa aos nossos próprios limites.

A, suposta, agressividade espanhola é mais evidente quando confrontada com a fleuma organizada, ao segundo e ao centrimetro, inglesa.


Coño, tenham calma que isto não é vingança pela humilhação da Armada Invencível




e vocês têm os queixos mais bonitos que os Felipes ou não estejam os ingleses desorbitados com o vosso fulgor descarado, sanguíneo, moreno, latino.


Imaginam-vos um explosivo sangue de alta temperatura. Que sai fora do corredor das veias. Afinal, foram vocês que venderam a ideia da vossa ligação ao sangue. Inventaram-se um vermelho agudo mas constante.



E vocês, my friends, não se espantem com a impaciência espanhola face ao vosso hábito de fazer duas perguntas: uma se podem perguntar e a outra, a pergunta propriamente dita. Vocês acham que perguntar é ingerência. Eles acham que não perguntar é falta de interesse. Ou forma de alongar dúvidas.

Mas já sei, e sinto, que depois dos aplausos, numa recepção pós evento, os espanhóis estarão mais pacientes face às curvas e contra curvas na expressão da vossa curiosidade


e vocês não se rirão, com todo o vosso cosmopolitismo e tolerância genuinamente educada para a diferença, da pronúncia arranhada, bruta, gutural e desajeitada deles ao tentarem falar a vossa língua.

Tanto uns como outros, perderão a encenação a que a peça da História obriga.



Ambos têm essa virtude contemporãnea potenciada pela universalidade das artes, das ciências e demais saberes sem fronteira desejável. Nenhum perde, agora, a vontade de beber, e se dar a beber, ao resto do mundo. Sem perder a face orgulhosa de si.

Como ponte encartada, em passeio pelas ruas, lojas, como quem ausculta o coração sempre novo da vossa cidade, fui-lhes contando histórias antigas que a vossa alma guarda na minha. Ou a minha na vossa.

Contaram-me que ali, naquela casa, vivia uma princesa muito triste, medrosa, feia e de pés tortos, acompanhada do pai severo e forreta e de um rato habilidoso, aventureiro e falador, que tinha vindo do bosque...



E, já agora, para quem tem seguido, ultimamente, este blogue, ter-me-ei eu rido quando um homem careca, com resquícios de louro torrado na pele e voz grave, me perguntou, em inglês, se me podia dizer que tinha uma prima, lá em Lisboa, Portugal, que não via há muitos, muitos anos, parecida, no fundo, comigo?



Pois fiquem sabendo que ri!

Londres tem o dom de acolher todos os risos.
E de rir com todos eles.

E eu gosto da gargalhada, solta, das cidades.

26 comentários:

Arabica disse...

Lizzie,

poderás ser ou não, prima do tal senhor. Habituada a ler-te, de uma coisa tenho a certeza, és uma grande contadora de "histórias".

Por momentos vi-me de novo na Portobello's Road :),entre o lavada de fresco numa chuvada matinal e o coberta de branco.

Como se todos os cenários e encantamentos fossem possíveis, naquele palco antigo e sempre novo.


Beijos de benvinda :)

Frioleiras disse...

.): ....

Os Filipes não eram espanhois...

E o Filipe II (o nosso I) gostava (desde que nasceu) mais de Portugal do que de Espanha, indubitavelmente..............................................

os ingleses........esses são retintos...

Frioleiras disse...

bjnhs de bom regresso :) ...

Lizzie disse...

Arábica:

por acaso sou mesmo prima do tal senhor:)

Os ingleses têm o chapéu de coco, os espanhóis têm a variedade que têm e eu, pelos vistos, também tenho um sinal identificativo.Mas não uso para exportação, credo!

Great Britan é muito fértil em histórias e lendas. Tem as de encantar e as de aterrorizar.

A que contei aos meus pares, enfim, fica no meio e refere-se a uma casa que está (como sempre em Inglaterra) conservadíssima. Deu-se lá, no séc XIX, um crime horrendo (também especialidade inglesa).

A casa permanece desocupada e "assombrada".
Lembro-me de me ter sido contada tal história, era eu miúda deslumbrada. Revi-a numa série de desenhos da Paula Rego.

Ainda hoje, Londres, para mim, é esse imaginário. Uma espécie de turismo interior de visitas na infância.

Não assististe ao voo de pássaros negros, ao entardecer, na Torre?
São as bruxas que vão, pela noite, atormentar o sono dos meninos que fazem maldades.

Reconheci muitas personagens antigas no Harry Potter:))

Obrigada

Besos

Lizzie disse...

Frioleiras:

Então o Felipe (assim ortografia castelhana:)Queixudo não era filho de Carlos V, Habsburgo, e de D. Isabel de Portugal e não nasceu em Valladolid? Terra que não se cala com tal célebre nascimento?

O termo "espanhol" ainda hoje é confuso. Politicamente incorrecto.

Mas o que interessa é que para os ingleses comuns tais Queixudos Prognatas mais os Reis Católicos são quase marcos de tudo o que é mau em Espanha. São simbolos já muito romanceados e míticos, obviamente.

Vê lá tu que uns ainda dizem que a Invencível Armada (nome irónico) foi derrotada pela astúcia de Francis Blake (salvo erro) e os outros que foi por causa de uma grande tempestade.

Por acaso, na tal recepção, conheci um professor espanhol, a leccionar em Oxford, que me disse que a culpa de a Espanha estar dividida em nacionalismos e de Portugal ser um país independente é todinha dos ingleses. Isto por interesses geo-estratégicos.

Não fossem os malvados e a península deveria ser una sob o nome de Espanna ou Ibéria, disse-me ele.E a tal liberdade é tanta que continua a arrasar os ingleses em...Oxford.

Saramago também defende essa tese, sobretudo porque se acabava com a história de "Espanha nem bom vento nem bom casamento".:)

Tanta, mas tanta, é a aristocracia espanhola, e não só, que tem casa de férias em Portugal.Em sítios pouco frequentados. Aqui, toda a gente se esconde.

Eu, entre uns e outros, fico entalada:) Quando me aborreço, berro aos dois e acaba-se a conversa.


Obrigada e beijinhos

Lizzie disse...

...e mais te digo:

para espanhóis, sou muito inglesa (à excepção da pontualidade) ;

para ingleses, sou demasiado espanhola (embora menos barulhenta)!

Nem uns nem outros, em maré de ataque patriótico, se lembram que nasci aqui.

Ay, la hóstia de charla, coño!

Oh God, it hardly seems credible! Don´t you think, my Dear?

Lola disse...

Lizzie,

Em tempos de liberdades, a tua história é eloquente.

Leio e vou rindo e acenando a concordar.

A tua força.

E gosto especialmente dos olhos azuis(?) da jovem da fotografia.

Besos da Patatita

Arabica disse...

:) se o mundo é uma ervilha...Londres será bago de arroz? :)


...com este calor...arroz vaporizado, claro! :)

Nunca estive na Torre ao fim do dia, mas de todas as vezes que lá passei, só vi gaivotas e gansos.

Deve ter sido por eu ser uma menina muito muito boazinha ;))


Arde-se na cidade.
Adeus maré mansa de ontem.

:) Besos

Frioleiras disse...

Lizzie..............

deverei ser esquisita...

porque adoro o Filipe II (o nosso 1º)...
e mais ... apesar da contrareforma (e eu sou católica..) admiro imenso carlos v.

pois, eu seria a favor duma só Ibéria...... isto é:

os Braganças foram uma monarquia quase "à força" e sim, foram os ingleses que "ajudaram" João de Bragança (João IV) a ir para Lisboa (coitado..) . Tudo para travar o "fortalecer" dos franceses.........

Lizzie disse...

Lolita, cariño:

A claridade dos olhos da menina com ar de santa de pau carunchoso, corresponde a verde.:)

E, claro que em tempos de liberdades, tudo funciona por comparação...como diria o Churhill não existem regimes perfeitos mas uns são mais perfeitos que os outros.

Infelizmente, tanto um país como outro, andam com um vírus que ataca as liberdades, não as colectivas, mas as individuais, sobretudo no campo da saúde.
Toda a gente deve morrer de morte saudável, talvez aos duzentos anos:)

As incompatilidades entre os dois, já é uma questão de vício.

É engraçado que os espanhóis ficam doentes com o rigor inglês e os ingleses não percebem como, no meio de tanta desordem histriónica, as coisas funcionam.

São orgulhosos e não percebem que uma das qualidades comuns é a exigência e a autocrítica mordaz e com senso de humor.

Rio-me com os dois.

Beijos, Patatita

Lizzie disse...

E Patatita

os meus espanhóis, por formação, até são sossegados, mas, quando me dá para não os aturar e fujo, lá ouço o "donde está Élis?"

com a resposta

"está dé "gillipolas (parva) inglesa!":))

Tu já viste,Patatita, a minha vida?:)

élis/lizzie disse...

Arábica:

Os pássaros da Torre são os sagrados corvos.

Agora a lenda principal, resumida:

Em tempos idos estava cheia deles.
No tempo de Carlos II, um astrónomo real, foi fazer queixa que os corvos lhe perturbavam a visão do céu nocturno. O Rei mandou matá-los. Uma prisioneira, que falava com eles, corvos, berrou dia e noite que ao matá-los caíria a monarquia e ocorreriam grandes desastres em Londres.

O Rei, por via das dúvidas, decretou que deveriam ali ficar, pelo menos, seis.

E até hoje. Mais que seis. Sempre sete ou oito. Têm nomes, tratador exclusivo e um dia em que são celebrados.

Outra lenda diz que são as almas de partidários de Maria Stuart, mandados executar por Elizabeth I.

Em termos populares, são bruxas que vivem na Torre e à noite se transformam em corvos para ralhar aos meninos: os bons têm sonhos felizes, os maus pesadelos (culpa).

Se eu disser a um espanhol que Londres é um grão de arroz, um espanhol diz logo que Madrid, ou Barcelona, são empadôes:)

Quanto a calor, olha, onde pernoitámos, faz tanto fresco...

Ora vai lá ver:))

Lizzie disse...

Frioleiras:

A história política nunca fez parte dos meus amores. Ao fim e ao cabo, independentemente dos nomes, cada reino queria mais e mais território, mais comércio, mais riqueza. Um autêntico tabuleiro de xadrez em que católicos e luteranos também pretendiam um xeque-mate económico. Parece-me, mas não sou de História.

Acho graça às histórias "marginais" de pirataria, sobretudo na zona da Flandres. Se calhar era um microcosmos dos interesses dos vários reinos.

Na época a minha monarca preferida foi Elizabeth I. No plano das artes,sobretudo cénicas e envolventes, claro.

Quanto à Ibéria, não sei. Para mim já existe:)
Talvez tivesse vantagens para Portugal,porque para Espanha não vejo interesse, mas tudo dependeria da forma como a coisa fosse estruturada.

A ideia do tal prof. de Oxford, pareceu-me, seria a de anular as especificidades das regiões, reconhecer o domínio de Castela/Leão e criar uma espécie de império a partir da Ibéria.
Acho que já não estamos no tempo de Carlos V.

Alien8 disse...

Lizzie,

Imagino porque te riste... :) E o que será encontrar assim um primo inesperado? Já me custa imaginar, mas em Londres tudo é possível...:)

Ah, os ingleses, os nossos eternos aliados... quer dizer... enfim... pronto, está bem! Mas ias cercada de espanhóis, e isso muda tudo, pois não é...?

Brilhante, a tua narrativa, misto de experiência recente passageira, experiência antiga revisitada, contrastes e coisas da História.

Não sei porquê, vêm-me à memória "Os Cadernos do Major Thompson" (Pierre Daninos), que li em miúdo, e "Astérix entre os Bretões", que li já mais que adolescente... Bem sei que ali se tratava de franceses, mas os ingleses estavam lá... e diz-me lá tu, estava nevoeiro, ou seja, "o continente estava isolado"? :)

Um abraço.

so lonely disse...

são cinco da manhã e vou deitar-me que esta leitura merece ser feita com todos os sentidos bem despertos. depois volto...

Lizzie disse...

Alien:

Só em Londres é que se poderia encontrar um Rato Engelhado que, ao engordar, perdeu as pregas. Gostaria de saber que alcunha lhe (nos)botaria agora a que não estava de palavra.:))

E, assim que ponho lá os pés, lembro-me de visitas e sobretudo de quem me contava histórias mágicas. Ainda hoje me custa perceber como um povo tão, aparentemente, contido, formal e que trata as crianças como adultos, tem imaginação tão quente.

Talvez exactamente por isso.

Claro que o "continente" está sempre isolado:)), tão sózinho como uma mancha ibérica a que falta, no mapa do boletim metereológico, p.ex.,um rectangulozinho:))

E, claro, que não acredito entre histórias de amor eterno e desinteressado, entre países mas, políticas fora, é um facto que os ingleses propriamente ditos (cuidado com as imitações)têm uma ideia simpática acerca dos portugueses. E para além do turismo ensolarado:)

O que não lhes cabe na cabeça é esta "obcessão" portuguesa de destruir e desrespeitar o património. Desde edifícios, arquitectura, mobiliário, paisagem ou gastronomia.

Nisto, ingleses e espanhóis estão de acordo.

Grande abraço

Lizzie disse...

Oh dear, So Lonely,

só lhe posso desejar bons sonhos.

E por curiosidade, sempre lhe digo que, de sexta para sábado me levantei às cinco da manhã assim como hoje. Que automato!

A minha natureza é mais para me deitar a tal hora.

Ai que jet lag...)

Então, cá a espero e... obrigada.

Arabica disse...

Lizzie,

apanhei o atalho verde e nem deixei aqui comentário.
Eu sabia dos corvos, mas não com as preciosidades dos detalhes deixados.
Também Lisboa tem os seus corvos.
À falta de um monarca supersticioso q.b. temos um são vicente (de fora) lendário...

beijos

Lizzie disse...

Arábica:

os corvos são protagonistas de vários simbolismos em várias culturas.

Para a maior parte dos indios norte americanos, são pássaros sagrados, quase deuses.

Para os marinheiros são divinos na protecção. Em vários países dados ao mar, os corvos a bordo enfrentam os maus espíritos marítimos.

Nos arredores de Boston, por exemplo, muita gente os tem como animais domésticos.Vivem com gatos e cães.Andam nas ruas e são descarados e pedinchões:))

Grandes avisadores de tempestades ou outras desgraças.

Oferecer um corvo, real ou não, é uma manifestação de preocupação e amizade.
No dia em que parti, ofereceram-me um de pano, artesanal, para que me acompanhasse no resto da vida:)

Para outros, são simbolos das trevas (diabo) e da morte.

O rei Charles II lá teve as suas razões:)
É que quando foram mortos, Londres sofreu uma peste, um incêndio e o rei esteve às portas da morte.
Repostos na Torre, tudo serenou:)

E, na segunda Guerra Mundial, houve um dia em que os corvos fugiram. À noite, Londres foi bombardeada.

Qualquer dia, conto algumas lendas de corvos. Que me lembre,tanto celtas como as outras, são sempre fortes e bonitas.

so lonely disse...

Aqui se fala de uma jovem medrosa, feia e de pés tortos: sinto-me retratada. E triste também sou, o que é estranho pois gosto muito de rir. Mas feliz não sou, faltam "as paisagens a desaguar-me na corrente do corpo" ou o tal sangue de que também falais "a sair fora do corredor das veias".
Deus, eu que tão pouco escrevo lá em minha casa, aqui tanto gosto de fazê-lo. E, embora escrevendo pouco, por vezes faço, distraidamente, pequenos erros dos quais só me apercebo ao reler-me dois ou três dias depois. Isso pode acontecer a todos nós. Assim, numa escala de 20, dou 40 ao que aqui leio (será presunção da minha parte pois ninguém me perguntou fosse o que fosse), mesmo com aquilo que julgo ser um pequeno lapso na frase "não preciso de vos vou contar". Tão preciosa escrita merece estar trezentos por cento impecável.

Peço desculpa, mas eu que tão imperfeita sou tenho a mania da perfeição mesmo em pormenores sem qualquer importância...

Voltarei muitas vezes se não se importar.

Lizzie disse...

So Lonely,

a menina feia, de pés tortos e medrosa fugiu com o rato que se fez conde da alegria depois de ter morto o pai, nem digo como,figura egoísta que perturbava a paz das pessoas de bem.

A beleza é coisa que não tem lei. Mais bonito é um feio de bondade agradável, que um bonito que não se liberta da avareza do espelho.

Quanto a lapsos e erros, minha amiga, vou-lhe contar um segredo:

não sou pessoa de sangue pousado. Dá-me a gana e boto escritura sem dar trabalho ao pensamento. Acho até que adormece. Ou se vai embora.
Depois, não tenho paciência para ler o que escrevi. Só, eventualmente, mais tarde.
Às vezes dizem-me "olha que tem gralhas, isto, aquilo..." e então, agradeço e corrigo.
Amanhã, com os meus agradecimentos a si, vou corrigir.

Nestas coisas, sou destravada. Sempre fui aqui, como em outras áreas em que o sentir se impôe ao reflectir.

Quanto a erros ortográficos, tenho impressão que já sabe que sou disléxica de nascença. Uns dias melhor, outros pior nesta minha relação com a ordem das letras.

Tenho todo o gosto em que venha aqui.
Escreva e opine o que lhe apetecer.

E quanto a tristezas, já é um dado assente que quem mais ri, ou faz rir, por fora, mais chora por dentro.

O riso é uma ironia e um luto. Uma defesa em dose maior que ataque.

Volte sempre e espero que tenha dormido bem e que se ria, também, de forma a que a sua alma ouça.

Ai as horas...disléxica, eu, até na visão do relógio:)

M. Angélus disse...

ola Lizzie. londres tambem é uma das minhas cidades preferidas, embora nunca la tenha posto os pes, nao passarei muito mais tempo sem visitar a magnifica cidade e duas ou tres galerias k tenho debaixo de olho...acontece que sou o prototipo perfeito de estudante teso, com a carteira sempre mais enxuta que o deserto... hahaha
comfesso que seria uma das minhas cidades de eleiçao para morar, nao desgosto do meu país, mas desgosto de certas atitudes, mas para essas... a la hostia com ellas!!

acredita que tenho sede de cultura e de intaracçao cultural, entre muitas outras coisas, assim que acabar o curso talves dê um saltinho a certas cidades da nossa europa...

dark kisses

Lizzie disse...

M Angélus:

A minha sorte é que conheci muita coisa a custo zero. Até desta vez. Fui em trabalho e só paguei o dia extra ofício.

É bom teres esse desejo de conhecer. Claro que quando voltares, o cantinho não te parecerá o mesmo. Tudo se torna relativo num mundo que, lá fora, é tão grande, aberto e variado mas também muito duro.

Se formos abertos à aprendizagem, ficamos mais ricos, mas também bastante mais distantes do sítio onde nascemos.

Olha, em termos de artes e contando com a oferta em termos de ideias, tenho um eixo: Londres, Nova Iorque, Berlim e, num contexto mais pequeno, discreto mas a ganhar terreno, Madrid e Barcelona.
Paris, para mim, vive de nostalgia.

As outras, por maiores que sejam as crises, fogem sempre para a frente. É isso que as torna fascinantes.

Falas em galerias. Tenho pena que algumas das maiores, em termos mundiais, tenham escolhido Madrid, e não Lisboa, para abrirem delegações e centros de residência de artistas convidados.
Muitas já lá estão, outras virão.
E Valencia está a ganhar terreno.

Mas enfim...entre lobbies,carga burocrática, Lisboa vai vivendo da luz branca, da nostalgia, do lamento.



Dark kisses

M. Angélus disse...

portugal é nostalgia e saudosismo, tentamos sempre correr atras da europa, mas no maximo acabamos por copiar os maus exemplos.

actualmente Londres é dos maiores centros artisticos do mundo na decada passada apareceram uma quantidade de jovens artistas emergentes como Tracy Emin que acho o melhor exemplo para representar esse grupo, porem o oriente aproxima-se a passos largos com excelentes iniciativas em termos artisticos.

em termos de arte e galerias por aqui, continuamos a viver do snobismo, tantos senhores "artistas" formados nas belas artes que sao ultrapassados por uma fabolosa Joana Vasconcelos que nao tendo estudos na area merece cada mililitro de merito pela sua genialidade.
mas confesso que estou deserto para ir a Londres e visital pelo menos a TATE e a Serpentine

mas dê-mos tempo ao tempo

A. disse...

...os teus olhos.





e um beijo, querida Eli

Lizzie disse...

Os olhos e, aqui,...não só.:)





Grande beijo,Passarinho.