quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


Prosa das palavras idosas, ou nem por isso, refugiadas na memória e à espera de qualquer coisa com forma de amanhã ou depois, dissolvidas em solução insolúvel de qualquer dia.














enfim...




12 comentários:

Lizzie disse...

Vanda e Bettips:

amanhã respondo-vos.

Agora estou a correr à frente das balas do Speedy Gonzalez: arriba, arriba...

augusto, um entre mil disse...

uma homenagem que alterou todo o "post".










voltarei quando a minha disposição (em crise) me permitir alguma coisa que valha



os meus respeitos, Senhora

Lizzie disse...

Senhor,


se me permitis, valeis sempre a pena.

Já que a vossa disposição anda em crise tanto quanto a minha anda um bocado muda, ocupada que anda noutras falas,

sempre vos digo que vos podeis aqui sentar, em silêncio se assim vos derem as ganas, e folhear o que me ocorre para botar nestas paredes.

Ontem, Senhor, quando soube da morte de Tàpies, logo me ocorreu o quadro que aqui vedes, um anónimo do séc.XV, que encima o de Antoni propriamente dito.

Que quereis?
Está tanto frio e tão melancólico, que me apetece aquecer-me no fogo sublime da Arte...sem Deus, toda a gente precisa de um qualquer rasgo de eterno.


Os meus sossegados respeitos.

heretico disse...

venho directamente da Bettips para te cumprimentar.

sábias tuas citações - sobre as águas...

parabens pelo blog - bom senso e bom gosto.

Lizzie disse...

Herético:

muito obrigada!

Quanto a citações,como rotina é coisa que não gosto lá muito mas algumas existem que pela sabedoria e oportunidade que revelam, são uma espécie de antibiótico de largo espectro.

Neste caso, convenhamos que o mérito é mais do Einstein que meu:)


Felizmente há sempre quem consiga ler os pensamentos escritos na água. Talvez só seja preciso um átomo de atenção, uma molécula de memória. Quando se têm.

augusto, um entre mil disse...

Senhora de Lizzie,

também minhas são palavras à espera de voz. talvez seja preconceito o que me faz não me sentir capaz de comentar. pelo menos perco o orgulho e confesso-o.

mas, quedo-me encantado com as imagens.

mesmo sem conseguir apreender o sentido dado nesta sequencia.


sempre encantado com o que vejo, respeitosamente me despeço.

Lizzie disse...

Senhor:

talvez também eu não saiba bem o sentido da sequência das imagens.
talvez venha do que ouço, salteado, pela rua.

Talvez pelos olhos parados em espera, sabe-se lá de quem ou do quê e que se vão repetindo ao longo dos séculos numa permanência de conteúdo embora com mudança de forma.

Tal como mudaram as formas de representar a metáfora da cruz, da cruxificação, das duras penas.

Ou porque talvez toda a gente queira ser grande quando pequena e quando atinge a idade em que se tornou maior do que jamais imaginou, sinta o vazio da perda da inocência perdida.

Ainda ontem, Senhor, enquanto tomava o meu cacau quente, ouvi a conversa de uma senhora dos seus muitos noventas que parecia aquecer a memória fria nas mãos já transparentes.

Ou talvez aquecesse as mãos geladas no calor da memória. Não sei.

Nem sei se a Senhora se chama María de la Europa, María de la Civilizacíon, María de la Cultura, María de los Valores ou María de la Elizabeth II.

Também não sei se me lembrei destas imagens por comentários nesta e em casas alheias.

O que interessa é que cada um as veja e leia como lhe aprouver. Não haverão duas leituras iguais, como não haverão dois froie gras iguais. O que já é muito bom.

Pois muito desejo que não vos sintais sem voz pelos motivos que descreveis.

Agora, Senhor, vou levar uma massagem para descontrair a luxação que me prende um musculo das costas.
Convenhamos que os -4º que se faziam sentir quando me levantei e os 6 que agora marca o termómetro, ao sol, ali no terraço, ajudam a dor que também me prende a voz.

Quando voltar, talvez mude alguma coisa na decoração.

Na impossibilidade de me curvar em vénia, assim direita e encasacada vos envio os meus respeitos.

augusto, um entre mil disse...

trôpegas abriram a custo as portas do castelo. a luz forte que vinha de fora e havia muito tempo não viam cegou-as e tiveram que esperar tentando habituar-se à claridade.

então olharam a paisagem que tinham à frente e, deslumbradas, caminharam em direção a ela. entaramelaram-se na língua e os velhos chinelos de pano tropeçaram no soalho carcomido. em vão tentaram manter o equilíbrio mas saindo disparadas porta fora rolaram encosta abaixo.
estateladas, a idade e a queda não lhes permitia emitir qualquer som.

de olhos já fechados retinham na memória a paisagem que tinham vislumbrado e o castelo escuro e húmido onde tinham vivido desde o primeiro dia.



sabiam, sem saber porquê, que nunca saberiam ser as palavras certas para falar da sua própria morte.

iriam esperar. talvez ainda houvesse amanhã.

Lizzie disse...

e/ou então

depois de andarem pelo Espaço que imaginavam aberto e ouvirem as outras muitas parvas, vazias,ambiciosas, esfomeadas, autoritárias, muito definitivas em certezas, muito exteriores,muito inchadas mais outros muitos de pouca história e proveito como as muito velhas gaiteiras em fase do "Crepusculo dos Deuses" e

sentiram-se cansadas que é estado que as arrasta para o envelhecimento com a condenação de guardarem as memórias em cada ruga,que é como quem diz, em cada sulco de silêncio.

As mais observadoras aprenderam o valor das ausências com as notas musicais e com os passos de dança, tanto umas como outros de natureza mais vagabunda e viajante.

Face à desordem da maior parte dos textos e da generalidade dos discursos, deixaram a falta para trás e levaram a paciência para os vários castelos e outros sítios altaneiros e pouco mundanos.

Quer nos castelos dos livros, quer no castelos do corpo, quer nos castelos dos riscos e outras pinceladas,quer na fortaleza das músicas, quer no dos pensamentos, o maior dos reinos, pois, sentiram-se as palavras mais sossegadas e livres para apreciar grupos de palavras como este:


"sabiam, sem saber porquê, que nunca saberiam ser as palavras certas para falar da sua própria morte.

iriam esperar. talvez ainda houvesse amanhã."

É assim que desde o princípio até ao fim do Tempo, as palavras nascem da sua própria morte



mesmo sem ciúmes dos castelos onde são invisíveis.

augusto, um entre mil disse...

e o amanhã chegou vestido de primavera e encheu a paisagem.

mas, era inverno.

Lizzie disse...

Senhor,

acerca de invernos, esperai que já vos respondo numa casa toda decorada de novo...

augusto, um entre mil disse...

podeis estar certa, Senhora. eu espero.

o resto que tinha escrito e era sobre formigas e cigarras apaguei.