quinta-feira, 1 de abril de 2010

Telegrama ilustrado... enfim, mais ou menos…


A dor já me deixa ouvir o silêncio benigno.
Porque qualquer dor, de qualquer origem, o esmaga, o tritura, o interrompe.
Stop.

Talvez o pior já tenha passado.


Talvez o definitivo ainda esteja para vir.
Não interessa porque o futuro não passa de um campo manchado de incertezas.


Stop.
Ainda estou em relativo descanso corporal.
Stop.


Sem capacidade nem precisão para grandes aventuras.


A prudência talvez evite desastres. Já dizia a minha avó e provavelmente a vossa.
Parece que a cautela já nasceu cheia de tempos antigos.
Stop.



Tenho atrasado o tempo porque não lhe tenho dado importância nenhuma.
Tenho inventado as minhas próprias horas. Recuso-me o vício da pressa. Saboreio livros nas mãos. Viajo pelo que os olhos recolhem.
Stop.


Tenho experimentado, sentada, ofícios que há gerações me correm nas veias. Abro nelas malas que contêm saberes.


Talvez um dia os escreva. Quando me tornar mais antiga do que sou hoje.
Stop.

Enfim.
Stop.


Lá dentro afadigam-se manjares pascais e não só mas também.

Expulsaram-me de tal divisão porque coloquei um problema filosófico:
Será que as amêndoas fazem mal aos dentes ou são os dentes que fazem mal às amêndoas?


Tal profundidade nas interrogações funciona sempre em favor dos meus interesses.
Stop.



Os mexilhões parecem segredos enclausurados. Têm cara de mártires do mar.
S. Sebastiões dos Oceanos. Sem ofensa.


Stop

Passem, pois, uns bons dias sejam eles sagrados


ou profanos.



Um abraço

Lizzie

9 comentários:

Alien8 disse...

Um abraço, Lizzie!

Por esta altura estarás aí a uns 80% no mínimo, espero.

Já contas coisas, embora em forma telegtáfica.

Trocaste as gambas pelos mexilhões.

Não quero saber. Põe-te boa depressa.

Temos saudades.

Outro abraço, da Lola.

Alien8 disse...

*telegráfica :)

arabica disse...

Não abuses dos stops que são geralmente tascas às esquinas das estradas com bom medronho. Bebível.
Não saltes como os coelhos, não profanes a dor por esta hora já anestesiada na aleluia do tempo.

:)) Beijos e as melhoras :)

Lizzie disse...

Alien:

felizmente a dor já não faz tanto barulho. Nunca percebi porque é que as dores são tão barulhentas.

(Esta é mais uma questão para colocar quando me pedirem para descascar batatas ou kiwis:))
Sou logo corrida:)
Só sou voluntária para partir nozes.

E não Senhor, não troquei as gambas pelos mexilhões. Por tradição, na Páscoa, segundo o princípio de em Roma ser romana,não tenho outro remédio senão come-los cozinhados de mil e uma maneiras. Pelos vistos são muito versáteis.

Prefiro pensar neles agarrados à rocha a ouvirem histórias do mar como se estivessem sentados à beira de uma lareira de um fogo de água.
Manias.

E és certo na percentagem: 80% que já me deram para ir comprar materiais, ir para cozinha pôr em prática os truques que estão nas tais malas herdadas de memória e fazer dançar as mãos. Já sabes para o que se destina tal alquimia...
Também mata a dor aplicar métodos medievais a estruras contemporãneas:) Melhor que analgésicos parvos.

A propósito, onde se venderá cré em Lisboa?
Todas as lojas que conhecia fecharam. É triste.

Também tenho saudades vossas.

Obrigada e um grande abraço vezes dois, como sempre.

Lizzie disse...

Arábica:

a modos que ainda estou mais para saltar como as tartarugas e os caracóis:)

Tenho é nadado imenso na banheira. Nós e nós de distãncia percorrida. Oceanos quentes:)
Quando o mar arrefece, em nome do repouso, estica-se o pé e roda-se o olho vermelho da torneira.
Cá para mim há um sol tropical escondido dentro das paredes:)

Devia ser só um quarto de hora mas o meu equipamento de mergulho não inclui relógio:))
E o tempo passa a correr...qualquer dia viro sereia e vou às consultas no Oceanário por via dos processos inflamatórios da barbatana.

Medronho é que não. Antes alentejano, Dão ou manchego a acompanhar regañadas com finas fatias de queijo, gambas, anchovas... pués claro!

Beijos e obrigada.

Lizzie disse...

...e, já agora, depois de ter respondido ao Alien, lembrei-me da presença dos mexilhões na Arte. E aqui botei um pormenor maior, em forma e símbolo, do Bosch.
A conversa é mesmo como as cerejas.

Abrindo a galeria da cabeça, na pintura espanhola são tantos...!

E também botei um livro, Libro del Buen Amor,que me tem acompanhado nestes dias caseiros.
Aos poucos e devagarinho, como se deve saborear este ritmo e esta beleza.
É bom ver dançar as palavras que sendo antigas, não têm tempo porque o ultrapassam.
Faz-me um bocadinho mal à dislexia, mas paciência: "perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe":)

arabica disse...

:) És má. Vires falar de banheiras a mim, logo a mim que sofro há ano e meio de síndrome acentuado de saudades de uma banheira!! :))Onde ... isso mesmo, nos seja possível mergulhar por tempo indeterminado e mesmo com a cabecita à linha de água! :)
Ai coño que agora me lembras as espumas de banho e sais, de maçã vaporizada! :)) Banho levemente frutado como se se tratasse de champagne :))

És mesmo má!!!! :))

Pois aqui pelas alfarrobas no domingo de aleluia é dia de medronho...até o meu genro se rendeu aos costumes da terra;))
Pareceram-me todos os transeuntes muito felizes e calorosos na procissão de fé...(pudera!!)

Mexilhões também os houve e caracóis e choco frito e sargos grelhados...mas o componente mais importante foi mesmo o sol quente, o primeiro sol quente do ano, o primeiro vento morno, chamamento antigo e sempre reconhecível mesmo pela pele envelhecida...

Ai que vontade de partir! :)


Um beijo e bons mergulhos (de fazer inveja!! ;) )

Lizzie disse...

Arábica:

:)

Tu não me fales em mexilhões tão cedo que eu vingo-me e começo a falar da banheira que é grande e tem uma almofada para repousar a cabeça enquanto os sais de algas levam o corpo para uma sensação de água maior e etc...

E então um saco de água quente envolto numa toalha húmida em cima da parte dolorosa e em cima disto tudo uma Pepa Imaculada que é uma gata muito velha e não pede licença para nada mas até sabe bem porque faz peso?

E fico-me por aqui antes de contar os impropérios de Doña Rosa quando me viu......credo!:)) vão-se lá explicar figuras destas a uma leiga que quer aspirar o tapete:)))

Choco frito também há sempre. É só eu chegar!

Mergulharei!

Beijos

arabica disse...

:))