terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vem este a propósito de ontem ser dia de romarias negras floridas, de parte do muro da minha morada ter caído por pressão de um salgueiro cheio de hormonas de crescimento e de em consequência disso, me ter lembrado e, por coincidência, visto


O homem que parece uma nuvem feliz dentro de um fogo escuro ou de como há cabeças que não sentem a falta do corpo ou corpos que não sentem a falta da cabeça.

É por ali tão distinto que apenas o nome próprio lhe chega e basta: Chico.

Conheci-o através de um empreiteiro, mestre sisudo e honesto de obra particular, sem serviçais fixos.


Andava Chico no ofício intermitente de ser ajudante de pedreiro, quando não intervalava com abertura de covas no cemitério ou com ressacas semanais debaixo do alpendre da sociedade recreativa sem direito a banda residente mas em cuja heráldica figura lira desenhada a regra e esquadro.

O empreiteiro disse-me, sempre a olhar para o lado esquerdo do chão, como ali fazem todos os homens quando falam com mulheres que lhes dizem o que querem, têm livros e não aparentam medo nem curvatura, que Chico era maluco mas boa pessoa. E de absoluta confiança na propriedade alheia.


Ainda hoje, quando falo com ele, empreiteiro, e para fugir à visão do eterno palito no canto da boca, me distraio perguntando se tal esquerdino hábito não terá reminiscência nos modos de etiqueta dos salões valsantes do séc. XIX, já que por ali, também todas as mulheres quando falam com outras mulheres, que vêm da cidade, não aceitam ordens nem sabem cozinhar a horas e com receita de obrigação, tombam a cabeça para o lado direito.

(Isto não vem para a narrativa mas apeteceu-me)

Chico logo me impressionou pelo porte e figura: alto, bem fornecido de musculatura sem adiposidade extra, limpo, cabelo como flocos de neve negra, olhos risonhos com pestanas naturalmente arrebitadas, bigodinho vintage-galante cuidadosamente aparado,




camisa de quadrados decentemente abotoada até ao último botão na fronteira do colarinho, botas rústicas castanhíssimas de biqueira aguda, boa educação, fácil trato e melhor compostura.



De facto, Chico remete mais para a figura mítica de obreiro americano, em folga de baile dominical, que herói da boçalidade socialmente cultivada naquele meio varonil.

Ali, é uma espécie de aspas de homem.




Logo na primeira tarde de serviço, era ela ainda recém nascida, Chico saiu deixando ao Deus dará do sol de verão, uma montanha de cimento fresco e uma bocarra aberta numa parede estratégica.
Algures, lá para os lados da faringe dessa bocarra, apareceram a mãe e a tia de Chico, cuja figura era mais ou menos esta:


Com palavras confusas e descordenadas, andavam à procura dele ainda acreditando na sua fidelidade a compromissos.

Eu vim a saber, elas não sei, que Chico tinha sido chamado pelo presidente da junta de freguesia para ir abrir a cova onde haveria de ter repouso eterno o cunhado, vogal na assembleia municipal e bombeiro voluntário. Se a memória de pormenor institucional não me falha.

No dia a seguir, ralhou-lhe o empreiteiro com palavras duras por massa cimenteira desperdiçada e obra atrasada e eu mantive-me sisuda e Chico não se defendeu nem atacou, limitando-se a encolher os ombros e a sorrir.

Mais vezes Chico voltaria a desaparecer a qualquer hora, sem aviso nem justificação.

Depois de liminarmente o ter despedido, haveria de quebrar e voltar atrás na minha zanga.

Apesar dos eternos lençóis brancos sobre móveis e entulho no chão, lembrei-me dele sentado à entrada do portão à espera, a afagar um gato irascível ou a contorcer-se em artimanhas para não ferir em obra um canteiro de viçosas buganvílias, a lanchar na mesa da cozinha com modos de cavalheirismo aristocrata, a desenhar e a fazer cálculos certos e rápidos de uma escada em madeira, a folhear, fascinado e perguntadeiro, livros de figuras estranhas, nunca sem antes pedir licença.
Neste, por exemplo Chico comoveu-se com a mestria e nele se demorou , por não conseguir olhar de frente, sem medo, o mar verdadeiro.



Emudeceu e ruborizou quando lhe saiu programa descarado.


Dava gargalhadas noutros


Mas todos os dias, volta e meia, lavava cuidadosamente as mãos e abria o livro na página onde fixava os olhos nesta sacralidade oficinal, percorrendo-lhe o rosto com as pontas dos dedos, como se, por artes mágicas, lhe desse relevo e vida.



Mas, houve um dia em que o empreiteiro, com o compêndio corcunda de hérnias discais e artroses hortícolas que era a sua mulher,


me apareceu desgostoso e em grande agitação de palito: o Chico tinha sido levado por militares.

Andava o casal empreiteiro, em casas onde tinha andado empreitada, a pedir o favor que se confirmasse, por testemunho, que o Chico não roubava, que não brigava, que não insultava, que não feria, que não matava, que não tinha relógio, que não sabia de dever fixo nem eventual, que era um desgraçado sem cabeça e que, apesar de tudo o conheciam desde nascido e lhe tinham amizade.

Chico tinha ido preso.

Anos atrás tinha ido à tropa sendo colocado num quartel do norte. Teve licença para ir passar o fim de semana a casa, que era, na altura, uma vivenda em Lisboa, com as funções de guarda, jardineiro e o que mais de biscate fosse preciso.

E o Chico nunca mais voltou ao quartel nem deu notícias de paradeiro. E “calhou” voltar para casa da família, um casebre escuro, onde a única luz é o fogo do álcool que sai da violência das bocas, onde se amontoam crianças avulsas nascidas pelo mero impulso da natureza, sem pontualidade nas letras, homens e mulheres indolentes e animais, também eles, a improvisar sobrevivência.


Ficou preso uns tempos.



Consegui saber que, enquanto aguardava decisão, foi de bom comportamento, que fazia continência com sorriso e não com riso desafiador, que levantava os ombros como resposta a qualquer chamada de atenção, que rezava, que pedia duas, três, quatro hóstias nas missas, que disse que tinha visto Deus num livro em casa de uma senhora, que mudava de meias, religiosamente, duas vezes por dia.

Foi solto com diagnóstico psiquiátrico palavroso.



Foi colocado como coveiro no cemitério.

Disse-me, ontem, sempre a sorrir, que estava bem ali, naquele trabalho. Que não gostava de estar ao pé de gente que fizesse barulho. Que a prisão tinha sido boa, que está cá fora porque é maluco.

Por uma fracção de segundo, li-lhe na noite profunda das pupilas, uma sabedoria astuta:

uma certa teoria empírica, algures, entre a ficção e a realidade.

24 comentários:

Frioleiras disse...

a tua casa ... é bem uma 'casa das histórias' !
melhor:
'a casa das histórias da Lizzie' ...

Arabica disse...

Lizzie,

abençoados olhos de ver tu tens!
"Benza-tos Deus". Com que então os homens olham para o lado esquerdo? E as mulheres entortam a cabeça para o lado direto (se bem me lembro e não me troco)? Que sabem elas, coitadas, das inconfessadas alegrias das lisboetas experimentalizadas em micro ondas e panelas de pressão? :)
[Lembro-me dos meus pais se rirem, quando a familia do meu pai criticou a minha mãe, por ela ter comprado a primeira panela de pressão; diziam as santas línguas das donas de casa modelo que aquilo era necessário para quem gostava de andar na rua, que mulher que prezasse o lar estaria ao lado do fogão contando as horas para o fogo lento]...Há quantos anos? Mais de quarenta...

Assim sendo, talvez o cemitério seja local aprazível e onde ainda seja possível ao Xico, continuar a sorrir...percebe-se.

Besos, niña.

Lizzie disse...

Frioleiras:

Faz de conta que é assim:

existe um país difuso, género de ilha indeterminada na geografia, onde se pensam várias línguas e cada língua espalha histórias de acordo com o mar e as florestas, os bichos e as pessoas, os livros e os quadros, as danças e as músicas.

Nessa ilha vivem duas pessoas, coitadas,que têm o vício de andar por todo o lado a apanhar histórias do ar e do chão, da água e do fogo.
Depois chegam a casa e metem-nas nas arcas.

Uma dessas pessoas já encheu muitas e muitas arcas. Tem uma casa tão enorme e tão cheia de arcas dentro da alma, que as histórias já não cabem e saem pelas portas e janelas.
Essa pessoa, com pensamento de duas linguas, chama-se Paula Rego. Mora num palácio.

A outra pessoa, tem pensamentos de três línguas, mas é muito mais pobre.
Não tem comparação nem na quantidade de arcas que possui nem na forma como as arruma.
Chama-se Lizzie e vive numa simples cottage, ao fundo do jardim do palácio.

Obrigada

bjs

Lizzie disse...

Arábica:

Pois assim eram as regras da boa etiqueta na alta sociedade do séc. XIX.
Já vinham detrás: homens e mulheres não se deviam olhar nos olhos. As mulheres ficavam do lado esquerdo dos homens para estes ficarem com o braço direito livre para pegar na espada se fosse caso disso.
Olhavam de travesso para a esquerda, para a zona dos pés da dama.

É uma regra que ainda hoje se aplica em cerimónias particulares em alguns países. Noutros é ao contrário ou a dama fica ligeiramente atrás do cavalheiro.

O Xico assina "Chico". Deixou-me alguns recados escritos.
Cá para mim seria um óptimo tratador de cavalos. Mas como é doido ou...se faz mais do que é, foi para o cemitério.

Já foi encontrado, disse-me o empreiteiro, a dormir calmamente a sesta dentro de uma cova.
Disse que estava muito fresco lá em baixo:))
A senhora que foi levar flores a uma campa e olhou lá para baixo é que ia ficando lá com um ataque cardíaco. Os sustos também matam.
Mas pronto:))

besos

triliti star disse...

(venerável)Senhora,


li de um só fôlego e sem ele quase fiquei...

tantas as semelhanças e as diferenças que me encontro com o personagem.

ex.:
dif.: sempre trago desabotoada a camisa, tanto de inverno como de verão, nos dois botões de cima. talvez por efeito dos calores de uma andropausa tardia e incipiente.

semelh.: desaparecer a qualquer hora, sem aviso nem justificação.

isto para dizer somente das diferenças e semelhanças
que pouco me comprometem...









como eu gostaria de viver numa casinha ao fundo daquele palaciano jardim, pensar numa só língua mas bem e...





não ter perdido já algumas das chaves das arcas onde guardei tantas estórias.



mas, e para terminar, ficai sabendo senhora (e isto não é ficção) que já vi cemitérios tão bonitos e mausoléus de tão confortável aspeito que, à semelhança do vosso herói, não me importaria de lá viver, não como coveiro mas tão só como mero residente, longe de barulhentas personagens.



e agora vou deliciar-me novamente...

Lizzie disse...

Mais que Estimado, Estimadíssimo:

Entre mim, O Chico e o Estimado noto uma diferença óbvia:
nunca terei andropausa!

E semelhança também temos:
a mania de desaparecer. No meu caso, felizmente, consigo evaporar-me mesmo estando presente.
Deixo só um resquício de mim alerta, para qualquer sim ou não que seja absolutamente necessário e aí vou eu.

E, Estimado, há pessoas vivas que sabemos serem uma completa poluição. Uma espécie de foguetes falantes. Rebentam com qualquer pensamento por mais silencioso que seja.

Também não gostava de ter uma profissão, a rondar o definitivo e o ponto final, como coveira.
Prefiro as que se assemelham a pontos de interrogação.
Mas isto é relativo.

Se agora me finasse, embora contra a minha vontade, não seria o Chico a repousar-me, não senhor.

Iria para cima do meu pai, para o lado do meu avô, teria um tio avô por baixo e mais uma tia.

Fico assustada, Estimado.
E se eles começarem a tocar Jazz continuamente como tanto faziam?
O que farei da minha morte?
Uma alma consegue evadir-se durante um bocado dos barulhos.
Mas durante a eternidade toda?

Quero ir, vou escrever em testamento, para um sítio onde possa escolher os sons que me embalem.
Um cantinho de jardim outonal onde se ouçam uma, duas, três línguas.
Talvez aí, o Chico me conte, como é que Deus cabe na ilustração de um livro.

Os meus respeitos mais que respeitosos, respeitosíssimos.

Lizzie disse...

Lembrei-me agora de um sítio que conviria: Port Elizabeth!

Tem um cemitério num sítio alto, sem campas. Só relva, alguma estatuária cinzelada em várias línguas, muitas árvores com as deliciosas cores de outono.

E à noite, quando neva, é lindíssimo o espectáculo da luz do farol a denunciar os flocos que caem no mar. Uma espécie de neve apanhada em flagrante. E o vento é um extraordinário compositor e coreógrafo.

Não sei quanto custam os transportes mas

é isso mesmo!Lá!!

M. Angélus disse...

Lizzie,
estou de volta. finalmente a exposiçao inaugurou, e ate o pessoal responsavel pela galeria ficou espantado pela adesao. dito isso, ja tenho convites para repetir no ano que vem e essa foi a questao que me foi posta mais vezes durante a abertura.

agora com mais tempo ha que dedicar-me as aulas, visto que tenho faltado bastante.

masmo assim venho aqui dar uma espreitadela e deixar um "oi"!!

Lizzie disse...

M. Angélus:

ainda bem que está a ser um sucesso. Fico contente.

O sucesso só tem dois grandes inconvenientes:)

-obriga a que a pessoa trabalhe muito mais e
-aumenta a responsabilidade e a pressão.

Este último item pode ser o pior.

Mas quando se faz aquilo que se gosta, ultrapassa-se tudo.
Às vezes as fraquezas transforma-se em forças e daquilo que era um mau meio, resulta num bom fim. Conheço muita gente, por dentro, que tem este dom.

Por tudo isto, continua sempre a trabalhar.

Obrigada por teres aparecido.

dark kisses

Arabica disse...

Lizzie,

...dormir no fundo de uma cova, só pode espelhar o quanto o Chico está de bem com a vida e com a morte.
Sem dúvidas ou crises existenciais, sem medos ou pruridos.
Dormir ao fresco é que era vital.
Ora aí está um homem simples.

Não pude deixar de ler sobre a tua escolha de Port Elizabeth, para morada futura. Uma boa descrição, paisagem idilica de Verão e Inverno, que pode uma alma mais querer? :)
Lembraste-me um tempo meu, em que não quis mudar a morada do cartão de eleitor porque me parecia a única forma de voltar -ainda que tesa e fechada entre quatro tábuas-à minha cidade.
Depois, à medida que fui crescendo, fui acalentando em silêncio, mil possibilidades de lá voltar viva (que era de resto muito mais agradável aos olhos).
Ao mesmo tempo que fui sendo seduzida pela ideia de ser cremada.
Não necessito de altares de luto e dor para chorar os meus mortos e como tal, não me parece uma herança decente para deixar aos meus vivos.
Cremada serei. Não restará pedra ou nome ou jazz e ao pó, que lhe dêem a liberdade do vento.
Também não precisa ser no mar.
O pó a quere-lo,saberá descobri-lo.
Dêem-lhe apenas liberdade.
E pouco peso e obrigações para os que amo.

Bom fim de semana e besos, coño! :)

Emma Larbos disse...

Palamedes, emissário de guerra, vinha cobrar um juramento antigo: todos os pretendentes de Helena a defenderiam para sempre e ao marido que ela escolhesse. Na altura pareceu-lhes boa ideia (no fundo todos achavam que seriam o escolhido). Quem ganhou foi Menelau e o jovem Ulisses teve de se conformar. Mas Zeus escreve direito por linhas tortas porque afinal calhou-lhe a Penélope, que era uma mulher sensata e doce e a tonta da Helena deu à sola com o Páris e arranjou uma grande confusão.
«E porque é que eu hei-de ir para a guerra por causa disso?», pensou Ulisses muito chateado por perder os seus belos serões em Ítaca, de mão dada com a Penélope e o Telémaco a brincar no jardim.
Mas Palamedes não quis saber. Vinha cobrar a promessa.
«Está bem», disse Ulisses «Mas então esperas uns diazitos, que eu quero deixar o sal semeado».
«O quê?!», perguntou Palamedes, deitando uns olhares interrogativos à Penélope.
«Sim», disse Ulisses, «amanhã é dia de ir lavrar a praia e de semear o sal».
O Palamedes abriu muito os olhos, a ver de lado a Penélope a girar o dedo na testa por trás do marido, com um ar muito triste.
«Queres ver que o Ulisses passou-se?», pensou Palamedes.
Nessa noite o Ulisses e a Penélope fartaram-se de rir na cama a lembrarem-se da cara que o Palamedes tinha feito e a vê-lo já pelas costas.
Não me lembro bem como acaba esta história... Tenho uma vaga ideia de que sempre houve uma guerra qualquer e depois uma viagem e umas ilhas ou coisa assim...
Será que afinal o Palamedes não era assim tão parvo? É pena, parece que a Penélope estava a gostar do novo Ulisses maluco e deve ter ficado tristinha se ele teve de se ir embora...

Lizzie disse...

Arábica:

Pois eu cá acho que o Chico não é homem simples, não senhora: é esperto e utiliza os "dotes" de irresponsabilidade que tem para fazer o que muito bem entende.

"Ao menino e ao borracho, pôe Deus a mão por baixo".

Por acaso quando o botei dali para fora, sem zangas nem elevações de voz, muito obrigada pela colaboração mas não penso que sirva para acabar o trabalho, começou a cumprir.
Mas levou a dele avante: voltei a admiti-lo:)) até ser preso.

Para ele, como para todas as pessoas que lidam de perto com a morte,é uma questão de hábito.
Noutras culturas, é um facto natural,com afecto mas sem penas.

Por acaso, não sou saudosista (até podia perder o cartão de eleitora:)) nem me preocupo com a minha morte.
O que me dói é pensar que as pessoas que fazem parte de mim (e eu delas)possam morrer antes de eu me finar.
Neste momento a única pessoa que eu quero que me anteceda é a minha mãe. Assim fico descansada quanto a tratos.

Que me seja permitido este pequeno apontamento de egoísmo, a descontar no Paraíso.

Como não acredito em almas penadas nem em passagens, acho que para quem morre é o fim, logo o nada, e o pior fica para quem continua vivo.
O desgosto é uma dor funda.

Agora, quero é ir para um sítio onde não ouça jaz toda e eternidade: quero clássica, coplas, flamenco, medieval...enfim,Emissora Nacional, Radio Nacional de España, variedade eclética em ouvido e visão:)
Não sei é se os esqueletos ficarão muito estéticos a dançar. Duvido! Um bocado desengonçados, não?

Logo verei. Talvez te apareça, em assombração, a contar.

Entretanto vou comer uma rosquilla de naranja con té, que me están dando ganas, coño!

Hummmm, buenisima!

Lizzie disse...

Ai Emma,

que sabedoria tens tu dessas histórias clássicas que tão bem retratavam os comportamentos de todos os seres em todos os tempos.

Claro que Ulisses estava muitíssimo bem a semear o sal. Ou a deitar uma pedrinha à terra para ver desabrochar uma montanha. Ou a servir de agente às sereias para chegarem a Maria Callas, ou a tratar da maquilhagem da Penélope Cruz.

Tudo seria, no fundo, mais sensato que ir para uma guerra defender uma tontinha. Pena que, tendo improviso de actor, não tenha oficializado a coisa com um diagnóstico de psicose, ou coisa do género.

Palamedes, talvez não fosse parvo de todo, ou mesmo nada. É capaz é de ter pensado que Ulisses lhe dava muito mais trabalho na guerra do que fora dela.

Costumava ir a uns jantares, do outro lado, servidos por uma familia judia muito divertida e trabalhadora.
Tinha um membro, vagamente parecido com o Woody Allen, que não fazia nenhum a não ser botar faladura disparatada sobre coisas que não interessavam, em termos práticos, a ninguém (por acaso eu achava que tinha imensa imaginação e senso de humor). Chico Judah Stein:)

Pois os outros davam-lhe uma mesada: ele servia para mostrar aos demais, por comparação, o quanto eram úteis.

A rir, diziam que ele era o fiel da balança de todos os egos.

Se calhar entre Palamedes e Ulisses, sempre terá que haver um.

Tua Templária:))

Arabica disse...

Zizzie,

essa sim! Me gusta :)

Que a eternidade deve dar tempo para me ensinares a dançar flamenco e nas noites em que o céu me faça bocejar de tédio sempre me podes contar uma história sobre aquelas personagens endiabradas, lá dos confins dos séculos e das roscas de naranja.

:) Está combinado.

Não vale apareceres de lençol branco sobre a cabeça, senão ainda corro o risco de morrer outra vez.
Vê lá vê...se calhar o melhor é enviares primeiro um mail, sei lá...

;)) beijos e boa semana (morte aos relatórios)

Alien8 disse...

Lizzie,

Não obstante a sabedoria astuta, o "teu" Chico não tem nada de chico-esperto...

Para começar, quase me comovi com a latinha de Mobiloil com o carrinho em cima :)

A julgar por esta e outras narrativas, a tua arca não é nada má! (Sim, bisbilhotei a história da ilha). Ainda por cima, está cheia de belíssimas imagens e, quando a abres para contar coisas e gentes, saem textos magníficos como aspas de homem ou cabeças que não sentem etc. etc..

Só não compreendi um pormenor: Como é que daquela mãe saiu um fulano tão assustadoramente parecido com o Clark Gable? :)

Um abraço, grande.

Lizzie disse...

Arábica:

de lençol branco não quero aparecer a ninguém.

Como já disse algures, sou mais Galliano, Tom Ford...e Karl Lagerfeld para as celebrações. Um Chanel dá sempre uma certa respeitabilidade ainda que não se tenha.

Defunta mas com um certo espírito criativo e glamour. E uma jóia ou outra Tiffany.
Isto se fôr colocada no paraíso. Fora isso, olha lá irei às lojas dos chineses...não vale a pena andar de roupa cara se é para queimar e ficar com cheiro a enxofre e a fritos.

Se nos tornarmos esqueletos, não te posso ensinar flamenco: tal dança exige formas corporais arredondadas com acentuadas curvas.
As "batas" (vestidos)são mesmo desenhados para acentuar as formas femininas e a sensualidade do movimento.

Ora, por mais esforço que faça, não consigo ver sensualidade num esqueleto.
Ora imagina lá uma "bata de cola" (vestido de cauda), aos folhos com um esqueleto dentro.
E a pintura dos beços? Bota-se aonde?

Ayyyyyyy

:)

Lizzie disse...

Alien:

Toda a gente tem arcas. É uma questão de olhar e ver. O que acontece é que uns são mais desbocados (como eu) que outros.

E ficas a saber que o Chico é mesmo parecido com o Clark Gable.

Um dia comentámos isso: um toque daqui e outro dali, chegava lá.
Aliás o galã como quase todas as estrelas, usava uns truques, às vezes, um bocado diabólicos. E os fotógrafos também.
Coisas de pasmar, que ficarão para a abertura de uma próxima arca.

E cá para mim, comparando-o com os irmãos que já vi, bom a mãe pode ser a mesma mas o pai...enfim, a lei de Mendel...hummm.

Mas o que faz impressão são os modos dele. Tomara muita gente sem aspas ter aquela educação: come com a boca fechada, nunca se senta antes de ninguém, nunca passa as portas sem dar passagem e por aí fora.


E,não senhor,o Chico pode ser o que é mas não é Chico-esperto. Está longe disso. Felizmente!
Quando vê ilustrações de livros, os olhos não mentem, nem os gestos das mãos.
Há ali uma ternura que não é manipulada pela razão: há um fascínio doce na descoberta.
O encantamento não tem contabilidade de cálculo.

O enchimento das arcas vai-nos ensinando a distinguir estas coisas.
E por alguma razão, consegue que o tal gato vadio e irrascível lhe venha parar ao colo.
Cá para mim, os bichos também têm os seus baús.

Obrigada e um grande abraço para ti.

Arabica disse...

Pois...ontem também me ocorreu que iria ser grande a dificuldade em juntar todo o pó para a dança.
Ainda pensei, tenho que treinar em vida um assobio. Tipo um de chamar os animais domesticados. Nãh...pois se o pó se quer livre. Talvez tenhamos que deixar o flamenco para outras encarnações.

Nada como ter uma lista de espera para esta e para as vindouras.
Assim um post it.

:)E agora vou ali, que tenho aqui um outro post it a lembrar-me outra coisa.

Bom dia de trabalho, com todos os intervalos possíveis para mergulhos em arcas desbocadas :))

Besos

audrey disse...

reli-t c agrado...........

bj

Lizzie disse...

Obrigada, Audrey.

Bjs

triliti star disse...

volto amanhã, quero ler estes comentários todos com calma.

triliti star disse...

estupidamente voltei cá. porquê se os olhos quase se me fecham e sei que não vou ler? hoje já não consigo, estou cansado. então, que bizarra vontade, que estranhas forças cá me trouxeram? não sei.
só sei que não me apetece ir para a cama.

boa noite

Lizzie disse...

Estimado:

espero que tenha dormido sono profundo.

Talvez goste de prolongar a noite porque se sente bem no amâgo dela e o facto de se deitar seja indício que acordará na luz e ambiente do dia que não o ampara e o interrompe.

É capaz de ser pessoa nocturna.
Eu sou mas não posso ser tanto quanto desejaria.

Sempre penso que quando me reformar do meu lado obrigatório, vou guardar as noites todas para mim. Vou, finalmente, Viver inteira e acordada.

Respeitos

Também não sei.

Lizzie disse...

e Estimado:

não sei o que o "também não sei" no final da minha resposta a si está ali a fazer.:)