quarta-feira, 7 de outubro de 2009

E tal como prometido no anterior, segue a

História de uma belíssima Senhora lunar chamada Outono.

Havia e ainda existe uma casa cheia de muitos corpos e falas que se ajeitavam para se compreenderem umas às outras, já que músculos, ossos, nervos e ouvidos não precisavam de palavras para se entenderem.

Neste remoinho de mundo há casas com arquitecturas assim.

Nessa casa havia o hábito de, ao fim do dia, quando os corpos suados partiam para outras casas de linguagem mais fixa, se anunciar quem fazia anos de nascido no dia seguinte.

Era uma forma de afastar a solidão, chamada Longe, que cada um trazia sentada no colo.

Nesse dia seguinte, estando todos avisados, cantavam-se e davam-se parabéns em festa a fingir de espontânea.

Quando chegou o meu dia, um rapaz muito alto, de longo cabelo negro, olhos escuros como um segredo e mãos tão calmas quanto grandes, não usou palavras mas, muito sério e de boca de desenho hermético, pegou-me ao colo, veio à longa varanda envidraçada e, poderoso, elevou-me pelas alturas no ar fresco da manhã.

Ninguém se riu porque nos mundos de muitas falas é sempre prudente e respeitoso não se rir dos sagrados pensamentos dos outros. Os deuses não têm hierarquia.

Mais tarde, sentado de pernas cruzadas, num parque onde as cores das folhas, morrendo, se tornavam mais vivas e deslumbrantes,



o rapaz contou-me que eu, ao nascer naquele dia que os meus deuses através do embaixador Papa Gregório, chamavam de 21 de Setembro, início de Outono, era filha da Lua, a senhora astral com uma majestade que ultrapassa em muito o estatuto serviçal de mero satélite e que em Janeiro, casa, dançando, com um Corvo e com um Lobo, tendo como madrinhas as rãs, as cigarras e como padrinhos os Ursos.


Note-se que os deuses da terra do rapaz moram à vista de toda a gente no Universo e na Terra e comportam-se como pessoas. Têm defeitos e qualidades e não são considerados inimputáveis nos seus actos.

Assim, o Sol é um senhor que, além de ter desavenças e intrigas com a Lua, se enfurece no verão e manda raios que castigam a Mãe Terra e os seus filhos.

Torna-se canibal e com a sua boca de fogo seca as pastagens, diminui rios e riachos, aliando-se à esterilidade das pedras. É criatura instável que oscila entre a generosidade e o mau génio.

Já agora convém ainda dizer que este sol forte e musculado, e desde o início do Tempo, não gosta das criaturas terrestres bípedes ou quadrúpedes porque não o olham nos olhos.

E, tem ciúmes da sorridente Lua com quem todos conversam de olhos nos olhos sem pudor algum.

Por alturas do equinócio de Setembro a Lua, já farta do temperamento do Sol, decide transformar o tempo numa Senhora porque são as Senhoras como ela que geram, no conforto interior do ventre liquido, a vida.

A Outono, de nome próprio, e Terra de apelido é um imenso útero onde, de forma silenciosa e escondida, se germinam os frutos que o corpo e a alma hão-de comer.

Os deuses da terra do rapaz não gostam de almas famintas de beleza e por isso consideram a Arte o pão do espírito, ou seja, um bem essencial.

As mulheres, e outros seres femininos nascidos no dia do Seu retorno ao poder sobre todas as coisas, são dela fruto e suas embaixadoras credenciadas.



Se os seus cabelos forem negros, têm paternidade no Corvo.

Se tiverem olhos claros, são filhas do rei da noite, o Lobo.
Hão-de gastar a vida em criações nocturnas. Hão-de ser vagabundas sem luz descarada.



Hão-de adormecer pela manhã. Hão-de acordar os sentidos quando a Mãe as chama.

Como os Lobos, hão-de contar os segredos dos sonhos dos que dormem.


A Lua, no equinócio setembrino, senta-se a fumar cachimbo na beira dos rios.

Do fumo que sai da sua boca, formam-se as nuvens.
A Lua pega nas rãs e manda-as para o firmamento para que tenham como repasto pedaços de Sol.
Este, triste e vencido pela invasão, vai-se tombando, pouca força tendo para se elevar até ao centro do céu. Dormirá, então, mais, enquanto regenera a sua luz. Voltará em Março, aproveitando a necessidade de descanso da Lua.


Mas neste início de falência os seus gritos solares e aflitos têm o som de trovões.
As lascas por ele perdidas, vemo-las em forma de relâmpagos.
A chuva não é mais que sumo de nuvem espremido pelos saltos brincalhões das tais rãs bulimicas.
E este sumo é o sémen da Terra que é irmã das mãos e dos pés de todos os animais.



No equinócio os homens pintam a cara de vermelho em reverência à cor do sangue mensal que escorre do centro criativo das mulheres.

As mulheres oferecem-lhes pequenos pedaços de tecido manchado com esse sangue que eles pendurarão ao peito, junto ao coração, quando forem para a guerra.
Qualquer guerra, com qualquer arma.

E cavam buracos nos terrenos que são as vulvas da Terra.



Neles deitam as folhas e os animais mortos. A Senhora Outono transformará o húmus, a morte, em vida. Aqueles deuses não gostam de desperdiçar e, para eles, a morte e a vida andam de mão dadas. Não existe uma sem a naturalidade da outra. A morte é um estado e não uma perda vestida de dor. Cada planta que nasça, tem em si um bocadinho da alma do corpo que a terra comeu. Chamam a tudo Existência.



Até ao nosso 7 de Outubro, pinta-se, improvisam-se poemas, contam-se histórias e sobretudo dança-se, dança-se muito em volta das tais aberturas feitas na terra. Há quem seja Lua, outros Lobo, outros Corvo ou Urso ou Coiote ou Bufalo.
Celebra-se a imortalidade circular dos ciclos.

Depois são as mulheres que trabalharão a terra fertilizada pela masculina água.


Que tecem os tecidos com mãos térreas. Que com o suco das ervas mortas, depois do labor do almofariz, pintam madeiras e vasos.
São elas que, no Outono, conhecem as vísceras da maternidade de todos os ramos.

O rapaz contou mais histórias da Senhora Outono, dos seus prodígios e parentescos, das suas covas e vidas de mundo escondido, ilustrando-as com gestos lentos através das suas mãos em que cada dedo parecia uma personagem de narração.



Encontrei-o anos mais tarde e ele lembrou-se de me chamar Moon Lady.

Tal como eu não me esqueci que nós, naquelas terras caladas e como a Senhora Outono, somos senhoras sábias do princípio e do fim de todos os deuses.



35 comentários:

Lizzie disse...

Para quem possa interessar e como já contei muitos posts lá para trás, estas danças e filosofias do poder feminino de algumas tribos da América do Norte misturadas com as tragédias da mitologia grega, foram a essência das grandes criações da Lua Mãe da Dança Moderna, chamada Martha Graham.

Foi revolução que a fumadora Lua ainda não deixou que morresse.

Lizzie disse...

e que não exclui os Sóis, obviamente!

Arabica disse...

Lizzie,

tenho que começar por dizer, que existe em mim, uma parte muito pagã, uma herança desconhecida de tambores a ecoarem na noite dos acordados, de fogueiras a evocarem a dança sagrada da terra, da água, do ar e do vento. Por isso, como deves calcular, li-te de forma ainda mais devoradora, embora nascida por oposto, em Março, e por isso sem urso padrinho... (mas tenho esperança que me esteja reservada a tartaruga).

Depois, pergunto aos meus deuses, tão pagãos quanto esse meu lado ou ainda mais como será de bom tom serem, que combinação astral será esta, para nos últimos dias, tanto me falarem, nas cores fabulosas das árvores...se à primeira vez, de tão inspirada ficar, me vesti de verde :), hoje corro sérios riscos de me enfiar nos alvos lençóis coberta de laranjas e escarlates... :)

Post (escrita e imagem)à altura, beleza e grandeza da Senhora Lua, da Senhora Outono...obrigada Zizzie!:)

Arabica disse...

Ah! reparaste no peixe voador refª "set09 195" ?? :)

Esse, acho que não aterrou no farol :) seguiu viagem até outros céus :))com bastante pena minha, claro:))

Besos

tolilo disse...

uma historinha que a minha tia ligia me irá contar em vários episódios!

Como é grandinha, fico todo contente por durar para toda a semana.

Chuac!_, tia Lizzie

Lizzie disse...

Arábica:

A minha grande esperança é que me seja reservada a caracoleta. Ando com vontade de hibernar, ou botar os cornichos ao sol debilitado do outono-inverno. Ser hermafrodita é que não sei. Logo se vê que há idades para tudo.

Só seria pagã se tivesse religião fixa. Para quem a tem, todas as outras são pagâs. Eu situo-me mais na categoria de infiel vadia crónica, coisa que, curiosamente, está ligada, naquelas paragens, à mitologia do Lobo e do Corvo.

Descobri que sou lunar porque:

dizem-me constantemente que estou sempre com a cabeça na Lua;

o meu nome de guerra, que não tem absolutamente nada a ver com o que me calhou em sede de certidão de nascimento, tem um som parecido, disse-me o rapaz, com Lua Navegante, na língua falada pela tribo dele.

(Ainda bem que não tem som de bifana-mal-passada ou esfregona-encharcada-em-sonasol-verde)

Urso era ele. Explicou-me porquê mas a complicação era tanta que me esqueci. Só me lembro que era por ter nascido em Novembro ou Dezembro filho não sei de quem, e depois o Coiote...
Cá entre nós era mais considerado mula.

Em Março a lua fica com sono e arrebita-se o sol mas, para eles a grande festa solar é no solstício de Junho.

E não me fales em árvores nesta altura que me dá logo um ataque de nostalgia que não há reza a deus que tire. Só uma companhia aérea.
Ai as cores reflectidas nos lagos...ai o cheiro...ai os sons...ai os mariscos...ai os cházes...ai os casacos...ai os entardeceres...ai as pies e os scones com as jams...ai os ais...

Essa do peixe voador não percebi.


Então beijinhos


Essa do peixe

Lizzie disse...

Tolilo:

se a tua tia Lígia contar a história à mesma velocidade com que os índios falam, tens história para os próximos meses.

Mas não me interpretes mal. O que a Tia Lizzie quer dizer é que são pessoas muito calmas na voz e no corpo e só de olhar para elas e de as ouvir uma pessoa fica com um lago ou um rio sereno na alma.

Acreditam naquilo que vivem e vivem para aquilo em que acreditam.

(desculpa, esta foi complicada para a tua idade mas a tia Lígia que te explique que eu vou trabalhar mais um bocadinho)


Festinha na bochecha.

Arabica disse...

No meu slide, foto 195, Lizzie. :)
Um grande peixe voador no céu e visto a olho nu. :)

Eu hoje estou mais: ai os braços, ai o abdomen, ai as pernas, ai os ombros, ai as saudações ao sol!! :)

Ai o bucólico outono nas suas fantasticas cores, tom sobre tom!

Ai as memórias!

Ai os aviões a passarem :))

Beijos

Lizzie disse...

Arábica:

Ai que a simbologia do peixe sempre me interessou.

Ai que para os da Lua Outonal é o simbolo do amor.

Aliás na terra das árvores mais coloridas de todas, quando uma pessoa é muito sedutora (em sentido lato e não apenas de "engate") diz-se que é um Big Fish (viste o filme do Tim Burton?).

Dos peixes voadores (até na dança) não te digo nem te conto...fica para uma próxima vez.

São lendas que ficaram na biblia da minha memória. Achei graça.

Já vi o peixe nº 195.
Amanhã vou entrar dentro de um para ir ver uns vestidos dançarinos em cima de umas árvores criadas por quem, como eu e comigo nestas coisas, se alimenta de luas.
Adoro vestidos pendurados em árvores.

A mim dói-me a vígilia. Estou com sono a travar hercúleamente o bocejo. Má educação estar com esta carranca de birra.

Ay,
Ay,
Ay,no me queda la siesta.


Agora vou almoçar que já são horas. Talvez uma truta.Bife já fui comer hoje outra vez.:)

:))

triliti star disse...

Senhora,

voltarei. várias vezes como nos post anterior. e nos outros.

quando vos leio, não sempre mas pelo menos 99,99999% das vezes, apetece-me ir para um retiro até crescer e ficar do vosso tamanho.

mas, mesmo sem crescer voltarei. e ficarei encantado novamente não só pelo que contais, mas principalmente pela forma como o fazeis.

respeitosamente,

Lizzie disse...

Estimado:

saiba que entre mim e si não noto diferenças na arte de bem crescer e se por vezes pareço a seus olhos 0,00000001 mais alta, saiba que é porque estou de saltos altos.

E volte quantas vezes lhe aprouver. Terei nisso muito gosto. Sente-se num confortável sofá, à sombra ou à luz, em frente aos dedos de sol que entram pela janela, ou na comtemplação dos mistérios cinzentos da lua que invadem a sala.
Já é suficientemente crescido para escolher o seu próprio lugar de assento.

Tenha então um bom fim de semana com a luz que lhe apetecer.

Os meus respeitos.

Emma Larbos disse...

Lizzie mía:

Ai a mitologia!... Como ela nos leva sempre para aquelas costuras do pensamento em que não estamos a cerzir o avental mas antes a bordar o manto da vida!

Mas tem cuidado. Ainda vem aí o nosso amigo Capitão perguntar-te se andas vestida de Apóstolo do Lobo ou do Urso ou do Corvo!

Arabica disse...

Lizzie,

há tanto tempo que me não lembrava do Big Fish! Um destes dias tenho que o voltar a ver. Gostei muito.
Às vezes sinto-me um peixe voador (pequenino), imagem que muitas vezes me ocorre, associando a imagem imaginada de "peixe" (signo) à procura de um céu. Ora todos nós sabemos que o universo dos peixes é outro, pelo que quando me sinto um peixe voador, traduzo o estado de espirito como: vigilante, inquieto, atento, afoito e consequentemente "aéreo", por todos os novos pormenores dados ao olhar e ao espirito. É muito diferente do estado de espirito "terrestre" de que às vezes também sou possuída. Mas não misturemos as águas :). Os peixes sempre encerraram em si muitos mistérios e inspiraram muitas lendas. E como falámos em filmes e falamos de lendas, lembro-me da pequena "domadora de baleias", que tanto gostei.

E já sabes que todo o universo imaginário das árvores também me seduz e me inspira, venha ele com vestidos coreografados nos ramos ou com a nudez da deusa da seiva, senhora invisível e intocável.

Espero que venhas feliz do big fish de que te soccorres para viajar, à falta de vassoura ou de fenómeno paranormal para te teletransportares (diz lá se não dava jeito??).

Beijos, bom regresso aos limões :)

Lizzie disse...

Emma Mía:

como tens razão!

Como as mitologias são bordados em deferentes tecidos consoante a linha que a terra dá.

Prometi escrever sobre uma renda com ponto quase, ou mesmo, totalmente oposto, a este: põe-se um grande estilista e uns seres "pantanosos" a bordar no mesmo pano.

E são tantos os bastidores como os mistérios que a vida e a morte são sempre costuradas muito para do fim do infinito. E não há linha que chegue a tal distãncia.

Lizzie disse...

e Emma,

a ser apóstola, profissão que não me seduz por ser um bocadinho limitada a uma só fonte de verdade, preferia ser da lua (o que, pelos vistos, já sou quer queira quer não).

À lua, mesmo assim, ninguém faz mal;

Se fosse do lobo, na generalidade das terras, matavam-me e era sujeita a histórias infantis violentas (o sacrifício que deve ser ter uma avó no estomago aos berros);

se fosse ursa, também me matavam para me roubarem a grandeza da alma;

corvo, enfim, é ambiguo:além de não gostar de carne mal passada, podia ter tanto de sábia como de mensageira da morte.

Lizzie disse...

Arábica:

andar de vassoura, hoje, não seria o mais sensato: é que não preguei olho e qualquer brisa me poderia baralhar e entornar. Suponho que é contra as regras da bruxaria voar de cabeça para baixo:)

Podia era haver um sistema de teletransporte de moléculas. Tudo à velocidade da luz: espera aí um bocadinho que vou mexer a sopa em Lisboa enquanto dá o genérico do Telediário ou enquanto o semáforo está vermelho. Escusavam de me perguntar três vezes se me esqueço de alguma coisa:))

E pois, os peixes dão para tudo.

Nas terras do "rapaz", os peixes que voam ou as aves submarinas (que supostamente vivem debaixo de água)são simbolos da instabilidade,da inconstãncia, da infedilidade, porque não "assentam" no seu meio natural. Correspondem um bocado (e de forma forçada) às almas penadas.

Depois hei-de explicar porque é que os peixes que vivem exclusivamente dentro de água são o simbolo do amor (assim um bocadinho a dar para o erótico em forma e conteúdo).

As árvores, sobretudo os salgueiros e outras de beira-água, são de uma estabilidade completa, sábia e abrangente: não "vão" a parte nenhuma,
as raízes conhecem o interior da terra,
o tronco conhece os segredos da água,
as folhas vivem no ar,
quando lenha (para eles continua a ter "alma" de árvore) conhece, em si, o fogo.

Ora de vestidos pendurados em árvores e no espaço não posso falar. Também existem lendas sobre a coisa mas, quem conta um conto acrescenta um ponto e não faz mal nenhum acrescentarem-se, ou diminuirem-se, pontos diferentes aos que já existem:))

Se assim não fosse não existia o lado criativo de qualquer arte.

Vou almoçar um grelhado qualquer com sumo de limão, que o cacau amargo e as tostitas con mantequilla de oveja y cabra já lá vão há muitas horas.

Besos, coño.

Arabica disse...

Lizzie,

...a correr, mas presente :)

A terra do rapaz tem muita sabedoria.

:)) pois até amanhã serei uma alma penada :)) (mas pouco, confesso; só qb para dramatizar a cena) :))

Besos, coño, bem regressada :) sempre de cabeça para cima :))

Arabica disse...

Onde andas?

Colapso da tecnologia? :)

Beijos

Lola disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alien8 disse...

Lizzie,

Estou abismado. Há gente que nasce de... hmm... virado para a Lua, e depois saem estas magníficas histórias, mitos, posts, que nos encantam e nos vão fazendo donhar um pouco. A nós, míseros Peixes, que não somos dessa conformidade, que não carregamos, possivelmente, tanto peso mitológico ne simbólico - o que, digamos, também tem as suas vantagens, porque nos torna um bocadito mais leves. O pior é que, com a leveza e a falta de carga, vem a preguiça. Mas, por outro lado, preguiçar é bom... até dá tempo para ver as ilustrações do post e tudo, e como eu gosto delas! Acho que nunca te disse isto, mas hoje ganhei coragem... :)

Beijos.

P.S. Removi o anterior. Nick Errado.. :)

Alien8 disse...

PS 2: (Que bem é preciso:) "donhar?" Hehehe. "Sonhar", isso sim.

triliti star disse...

Senhora,

é bem verdade que as palavras e as falas necessitam muias vezes de entrar em grandes conversas e conversações para conseguirem tirar conclusões.

embora eu não acredite que da discussão sempre nasça a luz. mais me parece que, na maior parte das vezes, as falas queiram tão somente fazer vingar os seus pontos de vista. por isso casas há onde a vizihança ouve amiúde grandes gritarias com os respectivos arremessos de loiças e barulho de cacos partidos.

já em outras divisões das mesmas casas, ossos, músculos, nervos e ouvidos sussurram e escutam sons de partilha bem mais suaves e ternos.

claro que estas casas pouco terão de comum com a casa de que falais...

... neste remoinho de mundo há casas com as mais variadas arquitecturas.

...desde que tenham água corrente fria e quente, electricidade e gás já podemos dar-nos por satisfeitos.

agora, Senhora, vou tomar o meu comprimido para não dizer mais disparates.

ps- é na verdade bem confortável este vosso sofá.

Arabica disse...

Ora toma lá um abraço de 16 Outubro.
Não esquecidos, nunca esquecer.

Lizzie disse...

Alien:

o que eu me ri quando li "donhar". A porteira do prédio de Madrid chama-se Doña Pilar (também aqui já lhe dediquei prosa). É uma coscuvilheira de primeira, mas boa pessoa. Quando nos apetece uma boa dose terapêutica de má língua dizemos "tengo ganas de DOÑAR" em homenagem aos disparates da senhora.

Duvido que, com a aflição, a minha mãe se lembre se nasci com o...hmm...virado para a lua:))Eu cá não tenho lembrança. Não devo ter reparado nesse pormenor.:)Foi tanta coisa nova...

E, Alien, ouvi tantas versões dos astros e fenómenos...tão diferentes. É a parte boa de ter sido errante. Sempre a aprender.

Os peixes? Leves? Coitadinhos! A carga mitológica que uma simples truta carrega!
Prefiro ser Virgem embora já com um pé em Balança. Foi o que me disseram, que sou pouco entendida nos negócios dos destinos entre estrelas, planetas e constelações.

E tu não me fales em preguiça, "ouvistes"? Anda aqui uma desgraçada sem dormir, a "doñar" com camas de rede e sestas, a muscular a elevação das pálpebras:))
ai, que não tarda nada, meto uma casca de ovo na cabeça e ando para aí "it´s an injustice, it is...":))

Muito obrigada pela tua "coragem".

A seguir, quando tiver tempo,e agora ando com pouco, lá vai outra dose de cockail de mito.

Grande abraço.

Lizzie disse...

Estimado:

nas casas de arquitectura confusa, bem diz,tudo se parte, até por falta de espaço para a voz de cada um. Porque sempre achei que as vozes também ocupam espaço. E nada pior que vozes desarrumadas.

Mas gosto de casas onde, bem sentada e a olhar para vozes elegantes, se trocam impressões. Sem vozes obesas de gritos. Mesmo que não se faça luz, deixam-se as vozes passear um pouco. E tal coisa não deixa que as vozes fiquem paralíticas.

Mas, qualquer dia, tomo um comprimido para que a minha voz seja só corpo. Isso: musculos, ossos, nervos. Talvez seja a voz com que falo e me ouço melhor.

Estimado, pode ser dado à insónia, pode gostar de andar pela luz da lua,pelos cinzentos das sombras,assim mais ou menos como eu, mas não lhe noto voz disparatada.

Ainda bem que o sofá lhe é confortável.

Assim que puder, conto outra história de outra casa, em que a ternura também era mobiliário.


Os meus mais gratos respeitos!

Lizzie disse...

Arábica:

Toma lá também outro abraço.

Quanto a memórias e esquecimentos, não tenho emenda: hoje recebi uma sms a perguntar se me lembrava que dia é hoje. Olhei para o tm e respondi 16 (às vezes penso que há gente mais doida que eu:))

depois, cheguei aqui, e tinha no mail uma imagem do dia em que enfreitei a lua. Ou o sol. Depende do ponto de vista do astro. A dar razão ao Pavlov, tremeram-me as pernas. E pensei que é bom ter uma memória subsidiária para o medo.

Besos.

Alien8 disse...

Uiiii! E então quando a truta é
recheada com presunto, a carga mitológica é de arrepiar :)

Arabica disse...

Lizzie,

há medos que o tempo não permite que se descontruam, ao contrário de outros que para seguirmos em frente, o tempo obriga à sua desconstrução.


E como hoje é segunda feira, vou seguir em frente, na labuta da descontrução e da construção.

Bom inicio de semana para ti.
Beijos

Lizzie disse...

Arábica:

há grandes medos que dão grandes sortes e nem vale a pena construí-los ou desconstruí-los: são naturalmente assim.

Para eles existem umas palavras mágicas que são, racionalmente, placebos mas emocionalmente confortantes como

merde (passível de várias traduções)
break a leg
put your ass down

e mais outras que aqui me escuso de transcrever em prol de alguma elegãncia.:))

A bem dizer, estou a escrever só com um olho aberto porque o outro ainda está a dormir mais um bocadinho.
Às segundas-feiras ponho cada metade do cérebro a dormir e a acordar alternadamente. Acordar tudo repentinamente faz mal ao coração e posso ficar com taquicardia nas ideias:))

Boa semana, com ou sem andaimes (isto a propósito da construçaão):))

Haddock disse...

...

a senhora De larbos não perdoa uma.
expliquemo-nos: na sequência das últimas visitas que fizemos ao seu "breve consultório", diagnosticou-nos, sob manifesta preocupação, uma pronunciada fobia católica-apostólica... e agora, sempre atenta, até já antecipa, em jeito de advertência, as nossas psico-patológicas reacções esmolares!!

acontece que segundas opiniões nos asseveraram que até somos biblicamente tolerantes...
longe de nós, por exemplo, tomar o velho testamento por manual de maus costumes!! encomendásse-nos o Senhor - numa epístola (apócrifa...) — que sovássemos o saramago e estava feito!!
isto apesar de não gostarmos de mandamentos...
mas um pedido bem educado com oferecimento de indulgências e de outras beneces temporais mudaria logo a coisa!!

de qualquer modo, lizzie, e para engano da senhora De larbos (porque agora apetece-nos pôr em causa a sua autoridade clínica), vinha-mos dizer-vos tão-só que antes este belíssimo folclore transversal, que põe em diálogo — nem sempre pacífico — o universo, com os seus astros, planetas, satélites, a natureza, feita de pastos, rios, bichos, etc... do que uma explicativa cientologia, feita de extra-terrestres!!


mas isto são deambulações de quem "está com a lua"...


vénia...

Haddock disse...

...


credo!! "vínhamos", qual "vinha-mos"...
não tarda, a senhora De larbos diagnostica-nos, em retaliação, um qualquer distúrbio hifenizante...

não nos bastasse já o alegado pecado moral para agora nos apontarem o flagrante delito gramatical...

má lua, a de hoje!!

Haddock disse...

definitivamente, há aqui uma espécie de sobrenatural castigo, sob forma de humilhaçãozinha...

ainda assim, a "benesse" de vossa indulgência...

porém, e dado o cansaço, quaisquer outros "pontapés", ainda que inintencionais, que aqui tenhamos dado entregamo-los à contabilidade do juízo final!!

Lizzie disse...

Capitão:

Tal como vós não somos dadas a mandamentos.
Tanto ficamos irritadas com quem nos quer faze-los engolir à força como quem faz estardalhaço a negá-los.

E também somos de ficar irritadíssimas e com "má lua" com o culto das tragédias,espécie de mirones da má existência. O melo-dramatismo cansa-nos sobretudo quando utilizado por diabólicos fins estratégicos.

Ora tal coisa vê-se em qualquer culto seja positivo seja negativo.

Talvez por isso a nossa freguesa Emma Larbos nos chame, elogiosamente, Lizzie Científica como talvez haveis lido noutras consultas, algumas já antigas.

E também nós não desdenharíamos uma escritura nossa, de Deus a expulsar Saramago e sobretudo a sua mulher que tem o dom de nos irritar mais que o marido. De santas empresárias e arrependidas está o mundo cheio.

Não nos parece que a nossa freguesa vos dê penitência por vossos pecados ortográficos. Se assim fizesse, já eu teria ardido nas profundezas do inferno e nem o embaixador Papa de lá nos tiraria.

Se houver algum "desentendimento" médico-doente-doente-médico no "consultório", chamai-nos: é que apreciamos "desentendimentos" entre pessoas lúcidas, com senso de humor e inteligentes.

Estou em crer que não será necessário nenhum encontro ecuménico e que, a haver, todos três seremos corridos pela Transcendência por mau comportamento.:))

A transcendência não gosta de ironias nem de risos e olhai, Capitão, que é tentação a que nós, Trindade, que não Santíssima, não resistimos. Olhai quem...:)

Quando recebermos a conta do Juízo Final, logo veremos se pagamos ou se ficamos para lavar os pratos:))

Por nossa parte exigimos um paraíso divertido e que o nosso traje apostólico seja, no mínimo, Jean-Paul Gautier ou Galliano.

Para A Senhora de Larbos recomendo Vivien Westwood e para vós...não, não pode ser que ainda entornais a vossa cerveja nele, sem falar na beata do cigarro e mesmo para céu, olhai, também anda em crise.

Continência

casa de passe disse...

agora é que fiquei baralhada!

(Loulou)

Lizzie disse...

Loulou

oui, c´est vous!

Agora eu é que fiquei baralhada com o seu baralhamento...

temos baralho em relação à Lua ou em relação às epistolas travessas entre o Capitão e eu?