segunda-feira, 8 de setembro de 2008


O utero da memória


Aqui chego com a voz tonta de rouquidão no prolongamento deste intervalo nos dias obrigatórios, prosaicamente dita, constipada. Escrevo entre espirros a pressagiar tosses.
Mas cá vai!

E mais uma vez a pensar que deus, circunstãncia ou destino me condenou a esta sorte de ter a alma espalhada por territórios que me levam a sempre partir com vontade de ficar e a ficar enclausurada no desejo de partir. Ou voltar. Vida de vice-versa.

E chego à pressa a Toledo que me urgem os abraços, as saudades.



E antes que o pano suba, dou a mão aos que vêem nela refúgio de segurança. São mãos que se aprendem com longos anos de nervosismos disfarçados, a bem da ilusória calma comum. São os tais, Vanda, de agrandaté niña! Quando a voz se silencia, as mãos impulsionam.
E com olhos rasos, bato palmas, àquele agrandamento.



E segue a viagem!


A minha mãe cumpre setenta e cinco anos. E não sei, juro que não sei, se, ao olhar para aqueles olhos tão grandes e pestanudos, foi o coração que se me cresceu ou a caixa torácica que diminuiu mas fico asfixiada com a torrente de ternura. Cheira a inocência.

Depois

é grande a sede, tão grande a sede de pisar campos de água.


Põe-se e deita-se o sol colorido de fogo a chamar os sonhos.





A quem me acompanha, e a mim, apetece espaço vazio de gente, mar bravo, rendas de espuma, sinfonias de ondas nos pés, brincadeiras quando o corpo aquece, camisolas nas noites frias que na esplanada rudimentar, talvez o peixe, ainda conte histórias aos temperos, de profundezas desconhecidas enquanto os nossos olhos tentam desvendar lonjuras nas estrelas e no mar misterioso e escuro.

Ouvem-se risos e loucuras, silêncios e empatias a quatro vozes.


Não me apetece ter idade nem juízo, embora o tempo não seja pródigo em parança e por isso, arrumam-se os pedaços de troncos abandonados na areia, pedrinhas que inventam cores, guardam-se na memória as últimas magnitudes da paisagem e ouve-se o fechar dos porta bagagens, som que ali tem o timbre de definitivo, de sentencioso, de facto consumado.

Ao cair da noite, Madrid orgulhosa mas triste.


Está com ares de dama castigada sem saber qual o crime. Quer saber quem assassinou um avião que caiu em Barajas. Em todo o lado se levantam hipóteses. Já é uma cidade desconfiada. Mas sempre altiva com a vida a correr. E a dançar. Sempre. Seja o canto de amor ou raiva.



Aproveito para rever, como se fosse num espelho atrasado, as expressões típicas de um mundo rígido e respeitoso aos mais velhos. Ali, por gosto e vocação, ainda têm idade para pensar que os que já fizeram carreira sabem tudo. Hão-de crescer para dar conta do engano.



A Maria Papoila, coitadinha, pede, antes que eu bote opinião sobre pecados e tentações que se ensaiam ao som de trovas do séc.XII



que castelhanos repitam “travadoiro da perna” da augusta Emma Larbos, salvo seja, bem entendido. E começa a rir com o desengonçado da fonética. Esta mujer me vuelve loca cada día. E lá vêm os carolos. Recíprocos.

Tomo o pequeno almoço na varanda maior da casa. Já vejo pena nos olhos, já sinto os movimentos arrastados a puxar o tempo para trás. Dói-me deixar a cadeira vazia. Talvez ela tenha pena de ficar sem a encenação em play-back da música antiga que aqui vos deixo. Talvez tenha saudades das gargalhadas aderentes aos trinados do Juanito, quase equivalente em lenda ao Alfredo Marceneiro, talvez se lembre dos 19 graus do vinho da Mancha.




Outra vez a sentença do baque do porta bagagens.

Mas alguns pormenores destes dias diversos engravidaram a memória. Ficarão em gestação, e desde que ela viva, há-de dar nascimento a uma qualquer obra, mesmo que abandonada ou secreta. Acto de amor que não cabe numa mera bagageira de um carro a vencer paisagem.




25 comentários:

Lizzie disse...

Fiquem sabendo que antes do vinho Quijote ter produzido efeito se dançou na varanda cúmplice a versão cantada pela Carmen Amaya, de que mais gosto mas não consegui pôr aqui.
Esta que aqui está surgiu em comparação sendo interpretada em movimento já ligeiramente desiquilibrado. Em Espanha, como em Portugal, ele há gente em que qualquer gotinha faz efeito:))

Vanda disse...

:)) Bem Vinda!!!! :))


Lizzie, mais uma cronica deliciosa de uma "imigrante de coração"...o que lhe confere a incondicionalidade das latitudes há tantos anos trocadas...

Sorrio com as memórias que fazes vir à tona da memória, de Toledo, eu sempre a pedir que fosse sitio de pernoita, para conhecer melhor, alguem a meu lado, sempre com pressa de engolir o fim da estrada...quisera-me eu agrandar antes de tempo? :)

Pouco importa agora, relevantes foram sempre os mares que me acolheram, de vaga larga ou enchente docil, como esse que bem fotografaste e que, embora os pés tivesse já abandonado, adivinho que nos teus olhos ainda se espraia, quando à noite, te elevas ao tecto de uma cidade, que já tanto sangue chorou...


E deixo-te um beijo para a tua mãe por mais um aniversário, um abraço para ti e sinceros desejos de muitos e bons Quijotes, dançados em equilibrio ou em desiquilibrio :))

Eu hoje fico-me por um alentejano de Borba, boa cepa, julgo, para acompanhar uma tabua de queijos e um pão de centeio fatiado, que ali está a fazer-me nascer água na boca e descarado...a piscar-me o olho :))

Angelus// The Phantom Of The Opera disse...

" E não sei, juro que não sei, se, ao olhar para aqueles olhos tão grandes e pestanudos, foi o coração que se me cresceu ou a caixa torácica que diminuiu mas fico asfixiada com a torrente de ternura"

adorei!!

dark kisses

Frioleiras disse...

bem aparecida!
adorei ler-te e recordar sítios de que tanto gosto ...

pentelho real disse...

belas fotografias...

Anónimo disse...

e agora, não como p. real.

agora sou EU. Termos a nossa mãe é uma coisa maravilhosa. Eu, tal como a personagem pent. real, já perdi a minha. Há muitos anos. Sinto ainda hoje, embora de uma forma mais suave, a falta da sua presença.

Um bejo grande

Lizzie disse...

Vanda,
a tábua tem queijo de Serpa? E de Nisa? O vinho não vai ter pudor em pedir para apagar o fogo daquele lacticínio espanhol cheio de ervas picantes e agrestes. De cabra. Não me lembro o nome. Mas lembro-me do desquilibrio que provoca:)) Deve ter sido quebra de tensão colectiva.

Em Toledo, ficámos num hotel de onde pareciam sair fantasmas das sombra nas paredes. É um agrandamento de memória antiga. Adoro este tipo de cidades à noite. Adivinham-se os espectros.
Infelizmente estive lá só 24 horas.
Tinha o mar à espera.

E já não sei se serei emigrante ou imigrante. Não sinto o coração dividido: sei-o multiplicado por onde criei raízes.

Parte delas estão naquela casa. Assim que meto a chave à porta, tenho o tique de lhe ir visitar todas as varandas. Uma parte de mim teve nascimento ali.
E lá vou intercambiando pézinhos de plantas com a minha mãe.
Vamos lá ver se o alecrim português gosta de Madrid e se a buganvília madrilena não se importa de medrar em Portugal.
Emigração botãnica!

Em nome da minha mãe, obrigada. "Dá-lhe um beijinho", diria.

E a modos que toma lá um meu:))

Lizzie disse...

Angelus,
a ternura tem um fundo de protecção, acho eu. E é o que sinto quando me lembro de uma mulher de quase um metro e setenta e de invejável corpo de Sofia Loren (como diziam), agora tão mais pequena e frágil e com passos presos amparados pela bengala.
O corpo e a memória envelheceram mas os olhos mantêm a curiosidade de uma criança.

dark kisses para ti também.

Lizzie disse...

Frioleiras,
assim de repente estou-me a lembrar dum arrepiante Requiem de Cristóbal de Morales na Catedral de Toledo.
Também fiquei confusa: viriam as vozes das profundezas do chão, ou choveriam das abóbadas das naves cantadas pelas estátuas?

Nada que também não seja dançável:)

Lizzie disse...

Alteza e Realidade Dela,

imagino o vazio completo que se sente. Penso que consigo imaginar.
Vou-o sentindo aos bocadinhos, umas vezes de forma suave outras de choque.
Cada vez que a vejo encontro mais um sinal de perda, mais um aviso.
Desta vez afirmou com certeza que foi em Setembro que eu nasci, contou as circunstãncias, brincou com elas mas não se lembra há quantos anos. Tirou-me muitos. E a ela também.
Deixei-a comer o que quis mas ia vendo a dificuldade em manipular o talher. Só com a mão direita e mal. Li a lista e omiti os pratos que exigissem destreza.
E escondo-lhe, na medida do possível, o lado mau da vida.
São folhas que vão caindo, como me disse uma amiga cuja mãe não faz ideia de como ela se chama.
A pouco e pouco também vou começando a viver da memória que tenho dela porque, cada vez mais, os papéis são invertidos: "tá bem hoje podes comer o chocolate porque fazes anos, mas só hoje, ouviste?"

Já é o inverno.

Vossa e Tua

Lizzie disse...

Esclarecimento (a pedido de espanhóis)

Esta canção foi escrita em plena Guerra Civil Espanhola por Juanito Valderrama, em Tanger, e tornou-se um hino para os combatentes e exilados avessos a Franco.
Quando a guerra acabou, os vencidos cantavam-na na via pública como protesto.

Existem versões que vão desde o mais festival da eurovisão possível até ao mais rico flamenco a "palo seco" (sem acompanhamento instrumental), passando por Carmen Amaya, Paco de Lucia, Tomatito,Rocio Jurado, Pata Negra ou pela prima do treinador do Benfica, Rosario Flores,mais etc.

Quem diria que tem tanta história...aqui só resumida.

Vále?

haddock disse...

...

valé!
e alvíssaras pelo vosso regresso, lizzie.
... ou maria papoila recordada...
(a propósito, a professora maria augusta da encarnação 'tá farta de "nós"...)
mas belíssima redacção!!
e (também) achamos que, no âmago desse abraço, se antecipa e se recorda ao ritmo desalmado das saudades... é estranhamente bom.

parabéns a Vossa mãe!

vénia...

Anónimo disse...

"vida de vice versa"

e tanta tanta!!!




"olhos grandes e pestanudos"


e tb verdes?





saudades minhas!!






P.

Alien8 disse...

Lizzie,

Um regresso feliz!!!

Aqui está uma bela forma de aproveitar a música e coordená-la com o texto, já de si um espectáculo ilustrado como é teu hábito. Assim se fazem e refazem viagens, assim se criam sensações e memórias. Já tinha saudades destas deliciosas excursões (mesmo quando não se sai do mesmo lugar).

À tua Mãe dou os PARABÉNS. A ti também.

Um abraço.

Vanda disse...

Lizzie,

...de Niza, sim, também de cabra -mas sem ervas :)- e um outro de Azeitão...enfim, já se foram todos com a graça dos Deuses e a ajuda dos vapores do tinto alentejano, que coitado, ao contrario dos queijos, ainda sobeja na garrafa :))

E ainda sobre queijos, muito gostava eu de descobrir por aqui, aquele queijo também de cabra marroquino, batido, cremoso, matinal, com o qual era presenteada em todos os peq.almoços, durante os dias que por lá andei...

Diziam-no de fabrico artesanal, quase particular...os iogurtes de cabra (gregos ou arabes) lembram-me ligeiramente o sabor...mas apenas porque têm o gosto peculiar do leite de cabra...

Partilho contigo o gosto pelas memórias dos bons momntos, as que não cabem em qualquer porta bagagens e não se maculam com o pó dos caminhos...

Intactas e puras ficam em nós e nós ficamos nelas...durante o tempo consentido pelo tempo...

Infinitamente desejamos nós e quando assim não for, que ao nosso lado esteja alguém que recorde por nós...

...e nos sorria e proteja...


Hoje, abraço-te ternamente...

Emma Larbos disse...

Das mães que vão fechando os postigos da vida ainda não tenho experiência, que a minha ainda calça os ténis para caminhadas de um quilómetro por dia. Mas da ternura de lhes dar a mão ao contrário do que elas nos davam sei muito bem, que ela é baixinha e reboco-a para atravessar nas passadeiras e não a perder entre a gente.
De Toledo boas recordações... enfim, com um pouco de angústia à mistura, de andar perdida ao fim da tarde sem saber onde deixara o carro, conduzida por um elfo duvidoso que se apresentou para me levar às cuevas (a propósito, Lizzie, já sei o que são as cuevas, depois conto-te). Da casa de Hércules não encontrei por lá vestígios.

Da varanda, roo-me de inveja. Ainda hei-de ter uma assim.

Lizzie disse...

Capitão:

folgamos de vos ler e com vossa graça, nossa mãe bem disposta, logo vos penduraria retrato na sala com o Gonçalinho ao colo! Até vos deixaria partir as caixinhas de "música animal" (grande gargalhada fomos de emitir!)

E somos de pensar que enquanto existem saudades e vontade de as matar com abraços, é porque existe empatia, afecto e memória dele. É o que se leva desta vida: bons empurrões e amparos, abraços e sorrisos!

Quanto a Maria Papoila, tadinha, continua com depressão mas dizer-vos que


ó Gonçalinho agente queremos ca tu fiques bom dipressa puque tu aí tás com essas chatas da bata branca que num deixam agente levarte rosquillas da donha Rosa pa tu emfardares puque tu tás muita magrinho e agente axim ficamos cu pena de darte lamparinas e num podes correr atáz dagente e num tem graça e a Pssora Emma tá chatiada puque a cabelêrêra pôslhe caraculetas no cabelo queinté parexe quela meteu os dedos na tomada elética e agente tamén achamos quella fica mais bonita de banana e carrapito.
Prontos agente vai por os olhos no chãu qué axim que parexemos tristes tristes.


Vede Capitão que agora nem vírgulas usa!Que placebo é o Prozac!

Continência

Lizzie disse...

P.

Castanhos com laivos verdes.

E "tanta tanta" às vezes parece tão pouca! Ou tão fora do sítio. Como acontece, aliás a quase toda a gente toda a gente.

Beijinhos

Lizzie disse...

e um telefone interrompe-me as respostas.

Já volto!

pentelho real disse...

senhora de lizzie,

passo só para deixar um beijo gande.
que não me sinto com vontade de grandes conversas: aquilo que eu julgava ser uma bruta constipação é, afirmou o médico da corte, uma grande alergia. estou entupida, lacrimejante, doi-me a cabeça, enfim, do pescoço para cima tudo lateja. nem cosigo dormir de entupida.
aguardo melhores dias.

adeus.

Lizzie disse...

Alien:
regresso assim-assim como explico no post.

Quanto à música, não é a versão que mais gosto entre as cinquenta do cd duplo:) Foi preciso escolher uma e definitivamente... a força dorida, grave e rouca da Carmen Amaya. Por unanimidade dos seis ouvidos e três corações bailarinos mas de "vadiagem" estável.

E andando, ou ficando no mesmo sítio, gozando o que existe nem que seja dando atenção aos pequeníssimos pormenores, lá se vão compondo aventuras.Cada um terá as suas. Mesmo sem grandes alardes ou exotismos.
Ao fim e ao cabo foram umas férias simples. Matámos a sede de silêncio e sossego.

Um grande abraço

Lizzie disse...

Vanda:
não sei se te referes a um queijo de cabra quase líquido,(come-se à colher).
Por lá há sempre embalagens de um kilo no frigorífico. "Queso marroquí artesano" Para comer com nozes,amendoas,passas de uva,frutas, e o que demais apetecer menos...gaspacho.Não liga.
Por acaso não aprecio.
Tenho uma amiga que quando vai a Espanha enche sacos isotérmicos de tal coisa. E mais refila porque os portugueses (ela fica-se por metade)consomem poucos produtos de cabra.

Pois os que comprei lá, os tais picantes e com ervas, já foram todinhos. E as palmadas que levei nas mãos por andar sempre a roubar pedacinhos. Lá. Género "depois dizes que estás mal disposta":))

E acho graça guardar memórias, não por saudosismo mas por divertimento, encontro e aprendizagem.
Na medida do possível vou abandonando as más no "pó do caminho". É uma forma de vencer estrada. De "evoluir":)

Um enorme abraço e brinde com o tal alentejano!

Lizzie disse...

Emma:
e eu a pensar que tinhas andado à procura da casa de Hércules violada pelo Rodrigo amante de travadoiros das pernas...

Quanto a varandas, que boas siestas ali se dormem, rodeada pela folhagem. E com a casa vazia, fez Doña Rosa o gosto ao dedo de arrumar. Normalmente por ali andam espalhados livros e apontamentos comeres e beberes e conversas e saudáveis maluqueiras mesmo noite dentro.

A tua mãe anda um km por dia? Grande mulher!
A minha sempre foi muito caseira. Bem me farto de lhe dizer para sair, para andar, mesmo devagarinho mas só sai para ir às compras e a casa de uma vizinha. Falam imenso do que não podem de todo comer. Belo conjunto de AVCs esfomeados.
Quando apareço sem aviso lá estão alguns pecados no frigorífico. Quando a visita é programada está limpinho e inocente:)
Faz-me lembrar quando eu escondia os SG debaixo do colchão. Alguns roubados ao meu pai.

É mesmo dar a mão ao contrário e, no dizer dela, tornei-me chata e autoritária. Vê lá o que uma filha ouve...

Lizzie disse...

Alteza

lamento o vosso entupido estado, parecido com o meu, embora não tenha dor de cabeça nem me sinta latejar mais do que é hábito.

Os físicos da minha corte chamam-lhe rinite alérgica e esta apanhei-a em viagem mas desta vez parece não ter evoluído para uma desprezível bronco-constrição mais conhecida por asma.Nessa fase compreendo o que sente uma panela esfregada com palha de aço.

Ontem fui às paisagens marinhas que aqui mostrei, que distam uma hora daqui em bom andamento e aceleração e hoje estou melhor.Quase curada.

Sei que de noite é pior.Horrível em fase aguda.

Deram-vos muitas picadinhas nos braços para ver a origem?

Estou empática convosco! Totalmente!

Espero que melhoreis rápidamente!

Pondo-vos mão fresca sobre a testa

Vossa

Vanda disse...

Lizzie,


é exactamente esse!!

Quase liquido? será que a memória me atraiçoa? recordo-o cremoso mas não liquido :) Eu comia-o simples, delicioso no pão, a acompanhar o sumo de laranja e depois repetia-o, com a chavena de cafe :))

Aqui está uma memória feliz que nenhum pó de caminho destroi :)

Enquanto outras se vão soltando...